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Golpes no prato: IA é usada para forjar fotos de comida e obter reembolsos em aplicativos de entrega em Londres

O Globo 03/01/2026 07:10
Como provar que a comida realmente veio estragada? Em Londres, serviços de entrega têm enfrentado um novo tipo de fraude impulsionada pela inteligência artificial, usada para adulterar fotos de refeições e simular problemas inexistentes com o objetivo de obter reembolsos indevidos. Segundo relatos recentes nas redes sociais, golpistas têm recorrido à IA para fazer pedidos parecerem malpassados, derretidos ou até infestados de insetos, explorando os sistemas de atendimento de plataformas como Uber Eats e DoorDash. A prática amplia uma tendência já conhecida de fraudes digitais, que vão desde pedidos de ajuda financeira falsos até a personificação de pessoas próximas por meio de vozes e imagens artificiais. Imagens manipuladas mostram desde bolos aparentemente derretidos até moscas sobrepostas à comida, com um nível de realismo capaz de enganar análises rápidas. O jornal britânico The Times destacou a capacidade dessas ferramentas de gerar evidências fotográficas convincentes, dificultando a verificação da veracidade das reclamações. Procuradas para comentar os casos, Uber Eats e DoorDash foram contatadas pelo The Washington Post, mas não detalharam publicamente como lidam com a checagem dessas imagens. Na prática, segundo relatos, muitos pedidos de reembolso acabam sendo aceitos sem investigação aprofundada.   Fraude escancarada nas redes sociais Nas redes sociais, alguns autores das fraudes demonstram pouco constrangimento. Em uma publicação no X, um usuário se gabou de editar fotos para receber dinheiro de volta, exibindo um hambúrguer alterado digitalmente para parecer perigosamente cru. Em outro caso, no Threads, um usuário relatou ter usado o Photoshop para modificar a aparência de uma coxa de frango, o que teria resultado em um reembolso de US$ 26,60 após um pedido de desculpas do suporte do aplicativo. As postagens geraram reação negativa imediata. Comentários criticaram o impacto da fraude sobre os restaurantes, lembrando que o prejuízo costuma recair sobre os estabelecimentos parceiros, e não sobre as plataformas. Outros ressaltaram que o golpe configura crime tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos. Especialistas alertam que, apesar do consenso moral contra esse tipo de prática, os sistemas automatizados de reembolso ainda são vulneráveis. A facilidade com que imagens adulteradas passam por autênticas cria um incentivo à repetição do golpe, ampliando as perdas para empresas e pequenos negócios.   O uso indevido da IA não se limita aos clientes. No mês passado, um entregador da DoorDash teria enviado a um consumidor uma imagem gerada por inteligência artificial como “prova” de entrega correta do pedido. Embora o cliente tenha percebido a fraude, casos assim indicam um risco crescente. O desafio tende a aumentar. Um estudo recente publicado na revista Royal Society Open Science mostrou que pessoas sem treinamento específico têm dificuldade em distinguir rostos humanos reais de imagens geradas por IA, sugerindo que, em breve, diferenciar uma refeição verdadeira de uma criada digitalmente pode se tornar ainda mais complexo.
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