Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 09h43m
Vitória News — Um jornal de verdade
Geral

Gestão Tarcísio libera prova que avalia estudantes de SP antes da data de aplicação

FolhaPress 09/04/2024 08:44

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) disponibilizou na última sexta-feira (5) nas plataformas digitais de ensino os testes da Prova São Paulo cujo início da aplicação estava marcado para esta segunda (8).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As provas acabaram sendo divulgadas, ainda no fim de semana, por professores e diretores a alunos, a fim de prepará-los para a avaliação estadual, que visa medir o desempenho dos estudantes a cada bimestre. Em nota, a Secretaria de Educação confirmou que a prova foi disponibilizada antecipadamente "apenas para os professores da rede e sem acesso ao gabarito".

A Prova São Paulo é uma avaliação padronizada da rede, e seu resultado não vale como nota. O objetivo é identificar ao longo do ano escolas ou regiões em que a aprendizagem está abaixo do esperado.

Com receio de serem alvo de interferências ou cobranças, alguns diretores orientaram os professores a enviar as provas com antecedência para os alunos. Assim, eles evitariam ter resultados baixos.

SESC PICASSO

A Folha de S.Paulo teve acesso a mensagens em que os diretores orientavam, por exemplo, que as questões das provas fossem trabalhadas com os alunos antes da aplicação.

Questionada, a secretaria nega que a antecipação da prova possa interferir nos resultados obtidos. "Os resultados são usados para que o professor possa enxergar o nível de aprendizagem de cada estudante e traçar estratégias de recuperação, se necessárias."

Também diz que as alternativas da prova são alteradas a cada acesso, o que impediria o uso de gabarito, por exemplo. "Sempre que a prova é acessada por um aluno, as questões e alternativas são apresentadas de forma aleatória. Mesmo assim, a secretaria monitora casos excepcionais de acertos muito discrepantes, que podem levantar a suspeita de cola", disse em nota.

CONTADOR - BONUS

Professores relataram à reportagem ter questionamentos sobre a função da avaliação, diante da antecipação das questões e da pressão por bons resultados dos alunos.

"Que diagnóstico vai ser produzido dessa forma? Os alunos vão acertar tudo. Vai melhorar brutalmente o resultado. Porque, tirando aquelas escolas em que os estudantes boicotam, os demais vão ter tido acesso às questões da prova e isso vai melhorar artificialmente o desempenho", diz Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da USP.

Desde que o início do governo Tarcísio, o secretário da Educação, Renato Feder, implementou um pacote de digitalização do ensino nas escolas paulistas. Nesse contexto, a Prova São Paulo passou a ser feita de forma digital.

Para acessá-la, os alunos e professores precisam fazer login e entrar no Centro de Mídias de São Paulo, onde encontram as provas que foram liberadas.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Até então, esse tipo de avaliação eram feitas pelos alunos no papel, como é o caso do Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo). As escolas recebiam os malotes fechados com os testes e só podiam abri-los na hora da aplicação.

Segundo o cronograma da própria secretaria, nesta segunda e nesta terça (9) a Prova São Paulo será aplicada para os estudantes 5º e 9º ano do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio. No primeiro dia, eles deveriam realizar as questões de língua portuguesa, geografia e história. No segundo, de matemática e ciências da natureza.

No entanto, já nesta segunda-feira, alunos tiveram acesso às provas dos dois dias.

Essa não é a primeira vez que uma avaliação feita pela gestão Tarcísio sofre vazamento. Em dezembro, o tema da redação do Provão Paulista, vestibular seriado para alunos de escola pública, vazou um dia antes da aplicação.

Em janeiro, o secretário Renato Feder confirmou que houve vazamento e erro na distribuição das provas, mas negou prejuízo aos candidatos.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas