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Geração que começou ensino básico em 2019 terá 30% com formação suficiente

FolhaPress 30/07/2024 09:45

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A geração que completou a educação básica no Brasil em 2019 terminou com 2 de cada 10 jovens formados no tempo certo e com aprendizado suficiente. Se consideradas as mesmas condições, uma geração que começasse o ensino fundamental naquele ano acrescentaria apenas um aluno ao grupo com boa formação.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Depois do fim do ensino médio não é mais possível ajudar os estudantes com baixa aprendizagem, cujos indicadores são um olhar para o passado. Mas e se fosse possível ter essa previsão em mãos a tempo de reverter os baixos resultados?

É o que tenta responder o Índice de Inclusão Educacional (IIE) Legado. O indicador é calculado a partir do IIE, que chegou a 19% em 2019 e poderia passar a 30,7% para quem começasse a estudar naquele ano, mantidas as mesmas condições.

O IIE Legado, assim como o indicador original, foi desenvolvido pelo Instituto Natura, em parceria com a Metas Sociais —ambas organizações do setor de educação.

O objetivo é tentar acelerar melhorias para evitar, daqui a cerca de 12 anos, que apenas 31% dos alunos da geração que começou o fundamental em 2019 atinjam aprendizado suficiente e se formem no tempo certo ou com até um ano de atraso.

O IIE calcula quantas crianças se formaram com até 18 anos (um ano de atraso) no ensino médio e alcançaram notas suficientes no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) em língua portuguesa e matemática. O nível mínimo de aprendizagem considera proficiência de 300 pontos em cada uma das áreas.

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"É uma corrida", diz o professor de economia da USP e ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) Reynaldo Fernandes. Mesmo que cada geração "largue" nessa corrida no seu tempo, o novo índice consegue projetar como seria o final de cada trajetória, de acordo com a etapa.

Ele, que participou do desenvolvimento do modelo para o índice e o Legado, afirma que é possível calcular, nas mesmas condições daquele ano, a porcentagem de alunos que vai concluir o ensino básico com resultados suficientes, segundo o IIE. O ano de 2021 foi desconsiderado, devido ao impacto da pandemia de Covid, por exemplo, demonstrado em índices daquele ano.

Segundo dados apresentados pelo Instituto Natura, o Brasil chegou a um IIE em 2017 de 13,1% e, em 2019, de 19%. Novas gerações que entrassem em 2017, naquelas condições, poderiam atingir, ao final do ensino médio, 25%, e as de 2019, 30,7%.

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De acordo com as organizações, a diferença de dez pontos percentuais pode representar, em termos sociais, redução de 43 mil gestações na adolescência entre 15 e 17 anos. Também aponta mais 127 mil jovens ingressando no ensino superior aos 21 anos e outros 122 mil concluindo até os 25.

Mas isso se o sistema fosse mantido como está, sem melhorias para os alunos. É contra essa inércia que o IIE Legado pode ajudar, diz David Saad, diretor-presidente do instituto.

"No ritmo em que estamos, vamos demorar muito para ter uma educação que se pode considerar de qualidade. A preocupação do IIE Legado é menos um aviso do que não vamos alcançar e mais uma maneira de acelerar."

A educação é um processo de valor adicionado e tem melhorado ao longo dos anos, diz Saad, e o resultado de cada etapa de ensino estabelece as condições para as próximas, da alfabetização ao ensino médio. Mas se os indicadores marcam o final dos ciclos, as ações de governo tendem a se concentrar no que aparece mais rápido.

"O problema é que esse olhar incentiva uma visão no final do ciclo. Se sou governador, vou trabalhar no ensino médio porque já está mais próximo dos problemas da vida adulta."

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Sem impacto imediato, a alfabetização seria preterida, de acordo com o diretor-presidente do instituto, que diz trabalhar de forma mais próxima dessa etapa nos estados.

Os dados de projeção de 2019, segundo Saad, indicam que o investimento em alfabetização pode melhorar a situação dos alunos nos anos seguintes, mesmo sem apostas dos governos nos ensinos fundamental e médio.

Um exemplo, segundo dados disponibilizados até o momento pelo instituto, é o de São Paulo e Ceará. O estado paulista lidera entre seus pares e o Distrito Federal com um índice de 27%. Já o Ceará é o sétimo na lista, com 21,2%. Mas o IIE projetado, tendo 2019 como base, indica que, ao final dos 12 anos de ensino básico, a taxa vai alcançar 39,8% nos dois estados.

"O Ceará melhorou mais do que São Paulo e conseguiu alcançar São Paulo. O resultado vai aparecer no futuro. E a grande diferença aí está onde? Está em alfabetização."

O mesmo simulador usado para calcular o legado será calibrado com as novas notas do Saeb, que devem ser divulgadas em agosto, para projetar o IIE nas condições de 2023. O objetivo, segundo o executivo, é usá-lo para sensibilizar governadores e gestores de educação sobre as metas que cada estado quer determinar para melhorar a aprendizagem.

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