O BNDES liberou R$ 75,8 milhões para novos projetos ligados à reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Os recursos do Fundo Rio Doce serão destinados a agricultores familiares, comunidades indígenas, quilombolas e ações de recuperação ambiental em municípios de Minas Gerais e Espírito Santo.
Entre os principais projetos está o Florestas Produtivas com Barraginhas, que recebeu uma primeira parcela de R$ 23,6 milhões. A iniciativa prevê a implantação de 1,4 mil hectares de sistemas agroflorestais, construção de 4,2 mil barraginhas e assistência técnica para 4.650 unidades produtivas rurais.
O programa busca ampliar a segurança hídrica no campo, reduzir erosões e fortalecer a agricultura familiar por meio de sistemas que combinam produção agrícola e recuperação ambiental. As barraginhas funcionarão como estruturas de captação de água da chuva para infiltração gradual no solo e recarga de lençóis freáticos.
A execução ficará sob responsabilidade da Anater, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Outro projeto contemplado foi o Rio Doce Semear Digital, desenvolvido em parceria entre a Anater e a Embrapa. A iniciativa recebeu R$ 19,1 milhões para implantação de conectividade rural, soluções tecnológicas e inclusão digital voltadas às cadeias de café, cacau, pecuária e hortifrutigranjeiros.
O programa prevê a criação de quatro Centros de Propagação de Inovação Digital Inclusiva em Governador Valadares, Raul Soares, Caratinga e Colatina.
O Fundo Rio Doce também financiará consultas e estudos em comunidades indígenas e quilombolas atingidas pelo desastre ambiental. Foram liberados R$ 14,5 milhões para ações envolvendo povos Tupiniquim, Guarani e Puri em Minas Gerais e no Espírito Santo.
Além disso, outros R$ 1,3 milhão serão usados em consultas prévias junto a comunidades quilombolas de Sapê do Norte, em São Mateus e Conceição da Barra, além das comunidades de Povoação e Degredo, em Linhares.
Parte dos recursos também será destinada à elaboração do Plano Integrado de Desenvolvimento da Bacia do Rio Doce, que deverá definir estratégias de recuperação e desenvolvimento regional para os próximos anos.
O BNDES informou ainda novas liberações para o Programa de Transferência de Renda voltado a pescadores e agricultores atingidos pelo desastre. Somadas, as parcelas liberadas para os programas rural e pesqueiro ultrapassam R$ 274 milhões nesta etapa.
Criado após o Novo Acordo do Rio Doce, firmado em 2024, o fundo deverá receber R$ 49,1 bilhões ao longo de 20 anos da Samarco e de suas controladoras, Vale e BHP, para financiar ações de reparação ambiental, econômica e social nas áreas atingidas.