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'Fui do pixo para a fachada da ONU', relembra Kobra no SPIW

Estadão Conteúdo 14/05/2026 22:19

Em qualquer lugar do mundo é possível se deparar com uma arte do Kobra em prédios e grandes muros. Em 2022, ele pintou a fachada da sede da ONU em Nova York, após um processo extenso de autorizações burocráticas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Um cenário interessante para um artista que começou na ilegalidade, pintando muros, quer os donos deles gostassem ou não. "Fui do pixo para a fachada da ONU", afirma Carlos Eduardo Fernandes Leo, o Eduardo Kobra, no painel Criar Horizontes a Partir dos Muros, do São Paulo Innovation Week, parceria entre o Estadão e a Base Eventos, nesta quinta, 14.

De origem periférica, Kobra decidiu fazer das ruas sua grande tela aos 12 anos. Com poucas referências e exercendo uma arte então marginalizada, aprendeu sozinho a desenhar os traços que o tornariam mundialmente famoso no futuro. Aos poucos, começou a ser contratado para pintar muros de estabelecimentos comerciais, mas ainda longe de qualquer tipo de glamour ou perspectiva de que aquilo virasse seu ganha-pão.

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"Não havia nenhuma luz no fim do túnel, nada que eu pudesse me inspirar ou entender que esse caminho (da arte) me levaria a pintar esse mural da ONU em Nova York", disse Kobra.

A primeira grande oportunidade foi de pintar o parque de diversões Playcenter. "Eu saía pelas ruas de São Paulo e pintava desenhos dos mais variados. Eu pintava, por exemplo, um super-herói, porque eu sabia que alguém ia passar ali e ia querer pintar o quarto do filho daquele jeito", afirmou Kobra. "Um dia, um cara de uma agência viu os muros e me parou, falou que estava acontecendo uma concorrência para (pintar) o Playcenter. Pediu para eu apresentar 3 layouts. Eu apresentei 30, ganhamos a concorrência."

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Nos primeiros dias pintando o parque, dormiu no equipamento de pintura. O caminho de volta para a casa, na periferia, seria longo e custoso demais. Ficou 10 anos trabalhando para o Playcenter e, em paralelo, colorindo muros nas ruas de São Paulo e lapidando seu estilo. De repente, sua arte já estava no mundo todo.

Tudo que conquistou ele atribui a uma busca implacável por aperfeiçoamento, uma inquietude que o faz buscar referências em todos os lugares. Desde cedo, entendeu que a pintura era a atividade para a qual dedicaria a alma e o corpo - diz não sentir dores nas costas após as horas pintando murais monumentais, mas sofre desde os 23 anos as consequências da intoxicação pelos metais pesados presentes nas tintas.

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Um preço alto, que o fez não se deslumbrar com o sucesso. "Tenho intolerâncias alimentares. Para vocês terem uma ideia, eu não posso comer nada que tem açúcar, nada que vai leite, nada que vai glúten. Isso por causa da intoxicação", diz o artista. "Estou falando isso porque, por mais que a minha arte tenha me levado a todos esses patamares, a todos esses lugares que eu jamais imaginei estar, eu, graças a Deus, tenho meu pé no chão. Não tenho apego a questões materiais."

São Paulo Innovation Week

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

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