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Frans Krajcberg transforma a natureza em ateliê na sua primeira exposição no Masp

FolhaPress 16/05/2025 05:45

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em entrevista a Folha de S.Paulo publicada em 2011, Frans Krajcberg (1921-2017) recusou a alcunha de artista. Seu maior objetivo era defender a vida. Em seu sítio em Nova Viçosa, onde viveu durante anos no litoral baiano, passava dias extraindo matéria-prima e dizia se sentir mais à vontade entre as árvores. Nem por isso as criações que montou, com folhas, cascas, troncos e pigmentos, deixaram de chegar ao resto do mundo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Não estamos falando sobre representações da paisagem. Os materiais que compõem suas obras estão presentes in natura. Krajcberg era minucioso ao traduzir os ambientes em que vivia e trabalhava. Ele nunca quis copiar a natureza. É ela que se apresenta", diz Laura Cosendey, curadora-assistente do Masp e da primeira exposição do museu dedicada ao polonês que encontrou nos biomas brasileiros seu verdadeiro propósito.

"Frans Krajcberg - Reencontrar a Árvore" tem início nesta sexta (16) e mistura criações emblemáticas do artista. Ela integra este ciclo da instituição que se propõe a discutir o meio ambiente e divide o prédio original com a exposição dedicada à ecologia de Monet.

SESC PICASSO

No coração do segundo subsolo do museu -sala com pé direito ideal para receber peças monumentais-, um tronco retorcido mira o teto. O piche escuro que o reveste reforça sua imponência e surgem dele diferentes ramificações. São galhos longos, retorcidos e pintados que fortalecem a base da "Flor do Mangue" sobre o chão.

As madeiras que se voltam para o alto lembram raízes que se escondem sob a terra. Elas representam pétalas e se projetam para o resto do espaço, questionando o contato entre o homem e a natureza ao trazer à superfície elementos normalmente escondidos da visão humana.

Construída a partir de madeiras residuais, a escultura reinventa vestígios condenados à destruição e se tornou uma das mais reconhecidas entre as obras de Krajcberg.

CONTADOR - BONUS

Ela divide a exposição com manifestações de diferentes fases, dos experimentos sobre papel japonês -quando a diversidade de formações no solo inspiravam os desenhos que fez em Ibiza- aos trabalhos monumentais que produziu nos territórios que visitou.

A curadora relembra passagens que marcaram o contato entre o artista e a flora brasileira. Ela cita suas visitas a Minas Gerais, sua expedição pela Amazônia que resultou no "Manifesto do Rio Negro" e as queimadas que testemunhou ao conhecer o Mato Grosso. O artista foi também guiado pelo trauma de perder a família para o Holocausto. A barbárie o seguiu desde cedo e ele desenvolveu uma maneira de denunciar outros tipos de devastação.

Na mostra, caules de palmeira impressionam pela altura e resgatam a beleza de pigmentos naturais comumente destruídos pelo cotidiano. Ao redor, pedaços de folhas, flores e cipós saltam de peças em relevo. Do vermelho ao amarelo, elas abstraem sombras, contornos e demais aspectos da biologia vegetal.

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No centro do salão, três paredes circundam peças tridimensionais. Atrás delas, predominam experimentos em suportes planos. Em uma moldura, traços em azul se misturam à cor cinza de um desenho que mistura lâminas de vegetação. Outra obra escolhe grãos de terra e de areia para expor o planeta de dentro para fora.

Num quadro, fraturas em uma camada de solo separam as pedras que compõem um mosaico, rico em tamanhos e diferentes tons terrosos. "Quando Krajcberg fala dessa violência contra o meio ambiente, ele questiona a violência contra a vida", diz Cosendey. "Ele entendia os próprios lugares em que criava como parte fundamental de suas obras.

Seja pelas esculturas, ou seja por outros tipos de experimentação, a mostra respira a matéria-prima que o artista estudou durante a vida inteira e torna suas obras em raízes para a reflexão sobre a permanência do planeta.

FRANS KRAJCBERG - REENCONTRA A ÁRVORE

Quando Ter., das 10h às 20h; qua., qui., sáb. e dom., das 10h às 18h; sex., das 10h às 21h. De 16/5 a 19/10

Onde Masp - av. Paulista, 1.578, São Paulo

Preço R$ 75

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