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Força Nacional vai atuar por 90 dias na região de Belo Monte, no Pará

Operação autorizada pelo Ministério da Justiça será coordenada pela Polícia Federal e terá foco na segurança de pessoas e na proteção do patrimônio

Vitória News 19/10/2026 10:07
Força Nacional vai atuar por 90 dias na região de Belo Monte, no Pará
Foto: Joédson Alves/ABr

O Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou o emprego da Força Nacional de Segurança Pública por 90 dias na região da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, localizada no Rio Xingu, no Pará. A medida foi oficializada pela Portaria nº 1.321/2026, publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (19).

A operação terá como objetivo apoiar os órgãos federais e estaduais de segurança pública na preservação da ordem, na proteção das pessoas e na segurança do patrimônio da região.

De acordo com a portaria, a atuação será temporária, planejada e coordenada pela Polícia Federal, em articulação com as forças de segurança do Pará.

O documento não especifica o número de agentes que serão enviados nem detalha ocorrências que tenham motivado a autorização.

Polícia Federal coordenará operação

A quantidade de profissionais mobilizados será definida pela Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública, vinculada à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça.

A operação contará com a cooperação dos órgãos de segurança estaduais e federais que atuam na região.

Conforme a autorização, o órgão responsável pela solicitação deverá fornecer o apoio logístico e a infraestrutura necessários ao trabalho das equipes.

A Força Nacional é formada por profissionais de segurança pública mobilizados para atuar em operações específicas, oferecendo reforço temporário às estruturas locais.

Sua participação não substitui as atribuições das polícias estaduais ou federais, mas amplia a capacidade operacional das instituições envolvidas durante o período autorizado.

Belo Monte completa dez anos em meio a debates ambientais

A autorização ocorre no ano em que a Usina Hidrelétrica de Belo Monte completa uma década de sua inauguração oficial, realizada em maio de 2016.

Instalado no Rio Xingu, o empreendimento possui capacidade de geração instalada de aproximadamente 11,2 mil megawatts e está entre as maiores hidrelétricas brasileiras.

O projeto, discutido desde a década de 1970, tornou-se alvo de controvérsias relacionadas aos impactos ambientais e sociais provocados pelas alterações no fluxo do rio.

Uma das principais discussões envolve a região conhecida como Volta Grande do Xingu, onde comunidades indígenas, ribeirinhas e pescadores artesanais relatam consequências das mudanças na dinâmica das águas.

Em 2026, organizações como a Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (Aida), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) divulgaram uma carta aberta sobre a situação das populações tradicionais do médio Xingu.

O documento chamou a atenção para os impactos socioambientais associados ao empreendimento e para os desafios enfrentados pelas comunidades diante das mudanças climáticas.

Norte Energia informa investimentos socioambientais

A Usina de Belo Monte é administrada pela concessionária Norte Energia, responsável pela operação do empreendimento.

Segundo informações divulgadas pela empresa, a hidrelétrica responde, em média, por aproximadamente 5% da demanda anual de energia elétrica do Brasil.

A concessionária também afirma que já destinou mais de R$ 8 bilhões ao cumprimento de compromissos socioambientais estabelecidos no processo de licenciamento.

Os investimentos fazem parte das medidas relacionadas à implantação e à operação do empreendimento, que continua sendo acompanhado por órgãos públicos e organizações da sociedade civil.

Autorização não detalha motivo específico do reforço

Embora Belo Monte seja historicamente marcada por debates sobre impactos ambientais, direitos das comunidades locais e funcionamento da hidrelétrica, a portaria publicada nesta segunda-feira não estabelece uma relação direta entre essas controvérsias e a nova operação da Força Nacional.

O ato administrativo informa que a presença dos agentes será destinada à preservação da ordem pública e à proteção de pessoas e bens, sem especificar ameaças, conflitos ou situações emergenciais.

Também não foram divulgados, na portaria, o efetivo previsto e os pontos exatos de atuação na região.

A mobilização terá duração inicial de 90 dias, período durante o qual as equipes deverão atuar sob coordenação da Polícia Federal e em cooperação com os órgãos de segurança pública do Pará.

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