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Finneas, irmão e produtor de Billie Eilish, agora tenta sair das sombras com disco solo

FolhaPress 02/02/2025 09:26

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Finneas O'Connell tinha só 22 anos quando produziu e gravou no quarto que dividia com a irmã mais nova, Billie Eilish, o disco que mudaria a vida deles, "When We All Fall Asleep, Where do We Go?", com o qual eles venceram os quatro principais troféus do Grammy.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Celebridades instantâneas, e com a indústria da música aos seus pés, os dois enriqueceram, fizeram mais dois discos, saíram juntos em turnês e foram paparicados até por Hollywood, se tornando as pessoas mais jovens a terem vencido duas estatuetas no Oscar.

Mas foi Eilish, que hoje tem 23 anos, quem virou o rosto e a voz da dupla. Finneas, tem tentado então sair da sombra da irmã, e para isso lançou o disco "For Cryin' Out Loud", frase inglesa usada para expressar indignação, sentimento que permeia todo este segundo projeto solo do músico. "Fiz o álbum para conseguir respostas diferentes às minhas perguntas", diz ele à Folha, por vídeo.

No disco, Finneas percorre temas como a busca pelo autoconhecimento, as complexidades humanas, relações familiares e vulnerabilidade emocional --temas que já eram caros a ele quando trabalhava com a irmã. Eilish, porém, não é creditada em nenhuma das faixas do álbum, enquanto o nome de Finneas aparece em praticamente todas as fichas técnicas das canções dela.

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"Não", ele afirma, categórico, ao ser questionado se teria mantido a irmã longe na tentativa de se distanciar da identidade musical que ela construiu. "Amo escrever com a Billie. Mas ela estava sem tempo, gravando videoclipes e a fazendo capa do álbum dela. Eu só quis me manter ocupado enquanto ela também estava", diz Finneas.

"E uma coisa ajuda a outra. Quando trabalho com ela, melhoro as músicas que faço para mim. E se estou produzindo algo meu, me torno um parceiro melhor para ela."

Eilish lançou em maio do ano passado o "Hit Me Hard and Soft", seu terceiro disco, escrito e produzido por ela e Finneas, como foi também o álbum anterior, "Happier Than Ever", de 2021, e o primeiro, que explodiu com os hits "Bad Guy" e "When the Party's Over".

Eles divulgaram o álbum juntos, tendo dado várias entrevistas para falar do processo de escrevê-lo e gravá-lo --com ele concorrem a seis estatuetas do Grammy que ocorre neste domingo, incluindo a principal, de disco do ano.

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Mas, apesar disso, pela primeira vez Finneas decidiu não acompanhar a irmã em sua turnê. Preferiu iniciar uma maratona de shows dele próprio, dedicada ao "For Cryin' Out Loud", e também às músicas do seu primeiro álbum, o "Blood Harmony" (2019). Os fãs estranharam --era de praxe que ele aparecesse em quase todos os shows dela, como foi no único feito em solo brasileiro, no Lollapalooza, em 2023.

Na época, aliás, Finneas e Eilish estavam produzindo em segredo o vindouro "Hit Me Hard and Soft", que só sairia um ano depois. Entediados, ele aproveitaram a lentidão do trânsito de São Paulo para bolar a melodia de "Birds of a Feather", música que se tornou a mais tocada do mundo no Spotify em 2024.

"É uma memória fofa. Estávamos em um carro blindado, de janelas à prova de balas, fazendo uma versão da música enquanto esperávamos para chegar ao show", ele conta.

Vencedor de dez prêmios do Grammy, Finneas é considerado um dos produtores mais inventivos em atividade. Nos trabalhos com a irmã, tenta impressionar o ouvinte com a mistura de sonoridades muito distintas, como em "L' Amour de Ma Vie", que começa com uma melodia lenta, e no meio vira um batidão eletrônico cheio de sintetizadores e Auto-Tune, algo que remete ao pop dos anos 1980. Ele fez o mesmo tipo de transição abrupta em "Happier Than Ever", que vai do violão acústico ao rock barulhento.

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No seu disco solo ele seguiu um caminho mais comedido. São músicas lineares, mas ainda cheias de instrumentos e camadas que lembram uma versão mais suja e melancólica do pop feito por Harry Styles, por exemplo.

E ele tem apreço, quase uma exigência, por fazer sua música dentro de casa. "Amo a luz do dia, ver minha janela, ter essa mesa de trabalho que está bem na minha frente."

É o que Finneas diz enquanto pega o celular com as mãos e se levanta para filmar e mostrar a este repórter o cômodo onde ele guarda seus instrumentos. O músico mora numa mansão em Los Feliz, um bairro de Los Angeles, cidade onde nasceu e passou a vida toda.

"Sou mais feliz aqui do que num estúdio escuro de um prédio qualquer em Hollywood", ele diz. "Produzir onde eu moro me ajuda também a escrever músicas, minha imaginação fica mais solta. Claro, tem o fato de que vez ou outra preciso esperar o barulho do cortador de grama do meu vizinho. Mas tudo bem."

For Cryin' Out Loud

Autoria: Finneas

Gravadora: Universal

Onde: ouvir Nas plataformas digitais

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