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'Finalmente vou fazer uma mulher que transa e bebe', diz Marjorie Estiano sobre Ângela Diniz

FolhaPress 19/10/2025 14:32

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Marjorie Estiano vive um dos papéis mais intensos da carreira em 'Ângela Diniz: Assassinada e Condenada', série da HBO Max inspirada no podcast Praia dos Ossos, da Rádio Novelo. A produção, que estreia no dia 13, revisita o caso da socialite mineira morta a tiros pelo então companheiro, Doca Street, em 1976 --um crime que marcou a história do país e escancarou a violência de gênero e o machismo da época.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Após anos mergulhada em personagens densos, como a médica Carolina de Sob Pressão, a atriz conta que chegou a desejar uma comédia para aliviar o peso emocional da carreira. "Pensei: 'Não posso emburacar em outra coisa tão densa", lembra. Mas o destino tinha outros planos: depois da minissérie Fim (2023), do Globoplay, ela foi convidada a dar vida à mulher que ficou conhecida como "Pantera de Minas".

Ângela era sinônimo de liberdade nos anos 1970 --frequentava festas da alta sociedade, bebia, fumava, falava o que pensava e não se encaixava nos padrões femininos impostos. "Embora a Ângela tenha sido assassinada, pensei: 'Finalmente, vou fazer uma mulher que transa, bebe e é dada ao prazer'", diz Marjorie em entrevista ao O Globo. "Foi uma trabalheira: muito figurino, cabelo, maquiagem, mas eu estava me divertindo, brincando de boneca com a caracterização."

Dirigida por Andrucha Waddington, a série de seis episódios equilibra erotismo, crítica social e reflexão sobre o papel da mulher. Segundo o diretor, Marjorie foi a primeira e única opção para o papel. "A Ângela precisava ser vivida por alguém capaz de incorporar sua complexidade. Não haveria melhor pessoa para isso", afirma.

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A sensualidade da personagem, explica Marjorie, não está apenas nas cenas de sexo --filmadas com acompanhamento de uma coordenadora de intimidade--, mas na postura, no olhar e na autoconfiança. "O Andrucha chegou a me perguntar se eu estava malhando mais, mas não. Era a forma como eu me colocava em cena", conta.

Para a atriz, o maior desafio foi retratar uma mulher livre sem reduzir sua história ao erotismo. "Tivemos cuidado para não objetificar a Ângela. Era uma mulher que foi morta porque não se submetia a nada --não porque era bonita ou provocava ciúmes", afirma.

O assassinato de Ângela Diniz ganhou repercussão nacional não apenas pela brutalidade, mas pela forma como o réu foi tratado pela Justiça. Doca Street foi absolvido em 1979 com base na tese de "legítima defesa da honra", só declarada inconstitucional pelo STF em 2023. O caso gerou mobilização de movimentos feministas e um novo julgamento, no qual o assassino recebeu pena de 15 anos.

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"Essa história continua urgente", diz Marjorie. "Continuamos morrendo por feminicídio. Ainda precisamos pensar na roupa que vestimos, no horário em que saímos, nas aparências que somos obrigadas a sustentar. É um cerceamento que não acabou."

Hoje, aos 43 anos, a atriz diz estar em uma fase mais leve, dividindo a vida com o médico Márcio Maranhão. "A adolescência foi terrível. Depois, quando entrei na TV, também foi difícil. Hoje, com terapia, exercícios e alimentação, encontrei um prazer em estar viva. Eu me interesso por outros pensamentos, realidades -- até em relação ao sexo ainda há muito o que descobrir", reflete. "Não estou na vida a passeio."

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