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Festival É Tudo Verdade destaca artistas como Rita Lee e regimes autoritários

FolhaPress 15/03/2025 12:55

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O festival É Tudo Verdade, maior evento dedicado ao cinema documental no Brasil, anunciou neste sábado a seleção de filmes para a sua 30ª edição. Serão exibidas 85 produções de 30 países dos dias 3 a 13 de abril, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Para dar a largada ao festival foram escolhidas duas produções sobre grandes artistas brasileiras. No Rio de Janeiro, a abertura será com "Viva Marília", sobre a atriz Marília Pêra, morta em 2015. Assinado por Zelito Viana, o filme é narrado em primeira pessoa e traz imagens inéditas de uma das maiores artistas da dramaturgia nacional.

Já em São Paulo será exibido "Ritas", um retrato da rainha do rock, Rita Lee, dirigido por Oswaldo Santana. O longa terá uma entrevista exclusiva com a cantora, arquivos pessoais e gravações feitas por ela no celular.

"Hoje há uma grande produção de documentários para streaming e duas correntes são as mais populares: true crime e retratos de artistas. Mas o melhor dessa produção é feita para o cinema, com filmes muito mais criativos", diz Amir Labaki, fundador do É Tudo Verdade.

As biografias de artistas aparecem também na competição internacional, com "Estrada Azul: A História de Edna O'Brien", sobre a romancista que teve suas obras proibidas na Irlanda nos anos 1960, e "O Propagandista", um retrato de Jan Teunissen, cineasta holandês que foi chefe do departamento de cinema dos nazistas.

SESC PICASSO

Já na competição nacional são exibidos "Bruscky: Um Autorretrato", sobre o artista pernambucano, e "Lan: O Caricaturista", que conta a história de Lanfranco Veselli, um dos mais importantes chargistas da América Latina.

Além das biografias, predomina entre os filmes brasileiros o tema da arquitetura e da presença humana em espaços que resistem à destruição. É o caso de "Copan", que mostra o dia a dia no edifício projetado por Oscar Nyemeyer no coração de São Paulo para apontar as contradições da cidade.

O documentarista Vladimir Carvalho, morto em outubro, será o grande homenageado desta 30ª edição do festival. O cartaz do evento mostra uma foto sua durante as filmagens de "Cabra Marcado para Morrer", de Eduardo Coutinho, considerado um dos documentários mais importantes produzidos no Brasil.

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Além de "Cabra Marcado para Morrer", serão exibidos nove documentários dirigidos por Carvalho, entre eles "O País de São Saruê", considerado o seu trabalho mais importante, um mergulho no homem nordestino e suas relações de trabalho, e "Rock Brasília", sobre como a banda Legião Urbana revolucionou a música nacional. Foram Carvalho e Coutinho que inspiraram a criação do festival há 30 anos, conta Labaki. Os dois se queixavam da dificuldade em exibir suas produções nas salas comerciais.

O homenageado internacional será Humphrey Jennings, conhecido por produções sobre a Segunda Guerra. A escolha conversa com outro tema que se sobressai na competição internacional: o aumento de regimes e sistemas autoritários. "Estamos em um mundo em chamas. É um jeito de celebrar quem está filmando esses conflitos hoje", afirma Labaki.

Destacam-se "Sob as Bandeiras, o Sol", com imagens raras da ditadura no Paraguai, "Crônicas do Absurdo", que compila gravações clandestinas feitas em Cuba e "A Liberdade de Ferro", sobre um homem que é libertado após anos de reclusão em uma prisão no Texas, onde aguardava a sua sentença de morte.

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A crise climática também permeia a seleção deste ano. Exemplo é "Petra Kelly: Haja Agora!", longa sobre a história de uma das fundadoras do Partido Verde alemão, ou "Rua do Pescador, nº6", um retrato das comunidades afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

Competição internacional de longas e médias

"A 2000 Metros de Adriivka", de Mstyslav Chernov "Culpar", de Christian Frei "Crônicas do Absurdo", de Miguel Coyula "Em Busca de Amani", de Nicole Gormley e Debra Aroko "Escrevendo Hawa", de Najiba Noori "Estrada Azul - A História de Edna O'Brien", de Sinéad O'Shea "A Invasão", de Sergei Loznitsa "O Jardineiro, o Budista e o Espião", de Havard Bustnes "A Liberdade de Ferro", de Santiago Esteinou "Meus Fantasmas Armênios", de Tamara Stepanyan "O Propagandista", de Luuk Bouwman "Sob as Bandeiras, o Sol", de Juanjo Pereira

Competição brasileira de longas e médias

"Bruscky: Um Autorretrato", de Eryk Rocha

"Copan", de Carine Wallauer

"Lan - O Caricaturista", de Pedro Vinícius

"Mundurukuyü - A floresta das mulheres peixe", de Aldira Akay, Beka Munduruku e Rylcélia Akay

"Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky", de Liliane Maya e Jorge Bodanzky

"Quando o Brasil era Moderno", de Fabiano Maciel

"Rua Pescador nº6", de Bárbara Paz

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