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Fenaj pede ao STF revisão sobre fim da exigência de diploma para jornalistas

Entidade defende retomada da formação superior específica e cita avanço da desinformação no ambiente digital

Vitória News 19/08/2026 07:09
Fenaj pede ao STF revisão sobre fim da exigência de diploma para jornalistas
Foto: Lula Marques/ABr

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) pediu nesta terça-feira (18) que o Supremo Tribunal Federal (STF) reavalie a decisão de 2009 que afastou a exigência de diploma de nível superior em Jornalismo para o exercício da profissão.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A presidente da entidade, Samira de Castro, afirmou que as transformações provocadas pelas redes sociais reforçaram a necessidade de formação técnica e responsabilidade ética na produção de informações.

Segundo a Fenaj, o jornalismo não se limita à produção de conteúdo ou à manifestação de opiniões, mas envolve critérios profissionais, preparação específica e compromisso com a sociedade.

O posicionamento ocorreu no mesmo dia em que os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes defenderam uma nova discussão sobre o tema durante sessão da Primeira Turma do STF.

Ao analisar um processo relacionado ao direito de resposta, Dino argumentou que a atual realidade digital criou dificuldades para definir quem pode recorrer às garantias constitucionais destinadas à atividade jornalística.

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Moraes também defendeu uma regulamentação mais clara da profissão. Para o ministro, a liberdade de imprensa não pode ser utilizada como proteção para práticas criminosas, ataques à honra ou disseminação deliberada de desinformação nas redes sociais.

Em 2009, o Supremo decidiu que a exigência de diploma de Jornalismo e de registro profissional prevista no Decreto-Lei 972/1969 era incompatível com a Constituição de 1988.

Desde então, a formação superior específica deixou de ser condição obrigatória para o exercício profissional do jornalismo.

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A Fenaj defende que o tema volte a ser analisado tanto pelo Judiciário quanto pelo Congresso Nacional. Uma das alternativas apontadas pela entidade é a retomada da PEC 206/2012, conhecida como PEC do Diploma.

A proposta foi aprovada pelo Senado em 2012 e prevê novamente a exigência de curso superior em Jornalismo para o exercício da profissão, com algumas exceções.

Na Câmara dos Deputados, a PEC passou pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania em 2013 e está pronta para apreciação pelo plenário, mas nunca foi submetida à votação dos deputados.

Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, o texto precisa ser aprovado em dois turnos, com pelo menos 308 votos favoráveis em cada votação.

A proposta prevê exceções para colaboradores responsáveis por trabalhos de caráter técnico, científico ou cultural, além de profissionais que já exercessem a atividade quando a eventual mudança constitucional entrasse em vigor e jornalistas provisionados com registro regular.

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A discussão voltou a ganhar força também em meio às críticas relacionadas a uma decisão que autorizou medidas para identificar a fonte de informações utilizadas pelo blogueiro maranhense Luís Pablo em denúncias sobre suposto uso irregular de veículos oficiais envolvendo Flávio Dino.

Entidades ligadas ao jornalismo manifestaram preocupação com a possibilidade de quebra do sigilo da fonte. No processo, porém, Moraes sustentou que as informações teriam sido obtidas por meio de monitoramento ilegal da rotina de Dino e de familiares.

Com o novo debate dentro do próprio Supremo e a existência de uma proposta parada há anos no Congresso, a exigência do diploma para jornalistas volta ao centro das discussões sobre regulamentação profissional e liberdade de imprensa no país.

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