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Exposição na USP confronta pinturas tradicionais e atuais para pensar a história da arte

FolhaPress 05/08/2025 15:26

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A pintura, entre o experimental e a tradição, é o eixo da exposição "Silêncio da Tradição: Pinturas Contemporâneas", em cartaz no Centro Maria Antonia da USP. Com organização do crítico de arte Rodrigo Naves, a mostra reúne obras de pequeno formato que, entre figuras e abstrações, colocam a pintura como um campo de tensão e dão continuidade à história da arte.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

São obras de 12 artistas com produção recente, na maioria ligados ao ateliê de Paulo Pasta, um dos principais nomes da pintura brasileira contemporânea. As peças foram selecionadas a partir de um grupo de estudos conduzido por Naves ao longo de meses, em que artistas e críticos se reuniam semanalmente para discutir história da arte e os rumos da linguagem pictórica.

O diálogo entre tradição e contemporaneidade pode ser visto em trabalhos como os de Beatrice Arraes e Guilherme Gallé. Arraes desloca procedimentos da xilogravura para a pintura, invertendo o gesto de subtração do entalhe em um movimento de adição pictórica. Ao representar cenas do sertão cearense, próximas à tradição da pintura de paisagem nordestina, constrói novos imaginários a partir da experimentação formal.

Já nas pinturas de Gallé, a composição se dá por camadas espessas de tinta, criando um jogo visual entre planos sobre a superfície da tela. "Em diálogo com a obra de Eleonore Koch, o artista opera no limite entre figuração e abstração, construindo imagens que evocam paisagens sem, de fato, representá-las", diz o curador Gabriel San Martin, que assina o texto crítico da exposição.

SESC PICASSO

Para ele, existem ainda ecos das soluções formais de Pasta nos anos 1980, especialmente na maneira como Gallé lida com o volume, criando a sensação de profundidade mesmo onde não há.

"Era fundamental que esses artistas tivessem alguma familiaridade com a tradição da pintura", afirma. "Não para repetir fórmulas, mas para evitar cair em maneirismos. Conhecer o que veio antes ajuda a tensionar o presente com mais força."

Para San Martin, o "silêncio da tradição" do título se refere à dificuldade da produção recente em dialogar com os ganhos da arte do passado. "Esses trabalhos são, em grande parte, respostas a esse silêncio, tentativas de ressignificá-lo", diz. A exposição também propõe uma revalorização da crítica de arte e da interlocução entre artistas e pensadores, práticas que, segundo ele, foram esvaziadas nos últimos anos.

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"No passado, havia relações produtivas entre artistas e críticos, como Waltercio Caldas e Ronaldo Brito, em que um abastecia o trabalho do outro em igualdade. Hoje, com a crítica retraída e a curadoria ocupando um lugar de poder, perdemos parte desse diálogo. Por isso o processo de construção desta exposição foi tão valioso", afirma.

A programação conta ainda com encontros entre artistas e críticos, como o que reuniu Paulo Pasta e Lorenzo Mammì. Os próximos debates ocorrem no dia 23 de agosto, às 11h30, com Antonio Gonçalves Filho, Gabriel San Martin, Matheus Lopes Quirino e Taisa Palhares; e em 27 de setembro, no mesmo horário, com Alberto Tassinari e Rodrigo Naves.

O SILÊNCIO DA TRADIÇÃO: PINTURAS CONTEMPORÂNEAS

Quando Ter. a dom., das 10h às 18h; Até 28/9

Onde Centro MariAntonia - Rua Maria Antônia, 294, SP

Preço Grátis

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