A partir desta sexta-feira (21), o Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, abre suas portas para uma exposição única em homenagem aos 50 anos de carreira solo de Ney Matogrosso. Com um olhar envolvente e sensível sobre o artista, a mostra é um convite para o público "descobrir Ney", como define André Sturm, diretor do MIS e curador da exposição.
Em um ambiente repleto de tecidos finos e transparentes que caem do teto, a exposição destaca a intensidade e suavidade do artista, que sempre foi um mestre em se expor no palco enquanto mantém sua vida privada em total discrição. Segundo Sturm, o uso de panos e voais simboliza essa dualidade do artista, capaz de ser ao mesmo tempo grandioso e enigmático. "Ney é intenso no palco, mas sua vida pessoal sempre foi absolutamente discreta", explica o curador.
A trajetória de Ney Matogrosso na exposição
Com um percurso cronológico pela carreira do cantor, a exposição celebra a trajetória de Ney desde a sua saída do trio Secos & Molhados, em 1974, até o lançamento de seu primeiro álbum solo, Água do céu-pássaro. A mostra está organizada em seis áreas que contam a história do artista com peças originais, como figurinos de shows e videoclipes, pôsteres, CDs, capas de álbuns e documentos que revelam momentos inéditos.
Entre os destaques estão as centenas de fotografias que percorrem todas as fases de sua carreira, capturadas por fotógrafos renomados como Madalena Schwartz, Thereza Eugênia, Ary Brandi e Daryan Dornelles. Além disso, trechos de uma entrevista inédita de Ney Matogrosso ao programa Notas Contemporâneas, do MIS, completam a narrativa, oferecendo ao público uma visão mais íntima e pessoal do artista.
O acervo e os figurinos de Ney Matogrosso
O Senac São Paulo, que detém a coleção de indumentárias de Ney Matogrosso, contribuiu significativamente para a montagem da exposição, com mais de 200 itens. A coleção, cedida pelo próprio artista, inclui figurinos de diversos shows, adereços de cabeça e calçados, que serão vistos pela primeira vez em sua totalidade. O curador explica que, ao longo dos anos, o Senac organizou pequenas exibições em diferentes unidades, mas esta é a primeira vez que a coleção será apresentada em sua integridade.
O olhar de Julio Maria sobre o artista
A exposição também traz textos do jornalista Julio Maria, autor da biografia Ney Matogrosso – A biografia (2021). O biógrafo descreve a resistência do artista frente a adversidades históricas, como a repressão política da ditadura militar, a crise da AIDS e as mudanças tecnológicas da indústria musical. "Ney nunca deixou de lançar um disco, nunca se deixou abater. Ele tem 50 anos de carreira porque é autêntico, provocador e entrega uma experiência única ao público", afirma Julio Maria.
Liberdade e autenticidade
O biógrafo define a exposição como uma celebração da liberdade. "Ney nasceu na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, e ele representa essa mistura de culturas, de sons e de influências. O Ney é a fronteira onde as coisas se misturam", comenta Julio Maria.
Para o curador André Sturm, o sucesso contínuo de Ney Matogrosso ao longo de cinco décadas é uma prova de sua autenticidade e da experiência provocadora que ele oferece ao seu público. "Poucos artistas chegam a 50 anos de carreira com o sucesso que ele mantém", conclui.
Serviço
A exposição Ney Matogrosso: 50 anos de carreira solo está em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS), localizado na Avenida Europa, em São Paulo. A entrada é gratuita às terças-feiras e na terceira quarta-feira de cada mês. Mais informações sobre a exposição estão disponíveis no site oficial do MIS.