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Evento em colégio cívico-militar do PR faz exposição de fuzis para alunos

FolhaPress 09/12/2025 13:28

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um evento no Colégio Estadual Vinicius de Moraes, em Colombo (PR), gerou críticas entre políticos e organizações civis por realizar uma exposição de armamentos para os alunos, menores de 18 anos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Durante o evento, uma mesa com um arsenal de armas foi montada. Imagens passaram a circular nas redes sociais e mostraram alguns agentes de Rondas Ostensivas de Natureza Especial, da Polícia Militar, atrás da bancada enquanto alunos olhavam as armas e até tiravam fotos delas.

O caso aconteceu na última quarta-feira (3). A instituição é uma das 312 da rede estadual que fazem parte do modelo de gestão cívico militar e recebeu naquele dia a visita de representantes da Secretaria de Segurança Pública do Paraná.

A exposição de fuzis aos estudantes gerou revolta. O Sindicato dos professores e funcionários de escola do Paraná (APP-Sindicato) repudiou a ação e afirmou que a exibição de armamento pesado dentro do colégio faz parte de uma "cultura da violência".

SESC PICASSO

Deputados também se disseram indignadas com o que ocorreu. A deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) e o deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR) declararam ser "inaceitável que a educação pública do Paraná passe a ser o ódio e a violência". "Escola é para ensinar, proteger e acolher, não para militarizar, intimidar ou expor nossos jovens a violência institucionalizada", afirmou Ribeiro.

A situação foi denunciada ao Ministério Público do estado. À reportagem, o órgão afirmou nesta terça-feira (09) que recebeu a denúncia e deve apurar os fatos.

O QUE DIZ O GOVERNO

Governo afirmou que se trata de um tipo de ação tradicional em escolas, praças e eventos comunitário. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que o objetivo era fazer uma homenagem a profissionais das forças de segurança com "atividades educativas" que mostrassem aspectos do trabalho diário deles aos alunos.

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Equipamentos estavam em uma área supervisionada, sem manuseio pelos alunos, disse secretaria. "A Sesp destaca que todas as atividades seguiram rigorosamente as normas de segurança e estão alinhadas ao Estatuto da Criança e do Adolescente, com foco em prevenção, informação e aproximação responsável com a comunidade escolar", finalizou. A Secretaria de Educação, por sua vez, não quis se pronunciar.

OUTRO CASO

Na semana passada, outra situação semelhante em escola cívico-militar gerou polêmica. Alunos do colégio João Turin foram filmados cantando uma música atribuída ao Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em 2023. A gravação, no entanto, só passou a circular neste mês.

O grupo de estudantes marchava em uma quadra cantando trechos da música "Homem de Preto". "Homem de preto, o que é que você faz? Eu faço coisas que assusta o satanás. Homem de preto, qual é sua missão? Entrar na favela e deixar o corpo no chão. O Bope tem guerreiros que matam fogueteiros. Com a faca entre os dentes, esfola eles inteiros. Mata, esfola, usando sempre o seu fuzil", dizia uma parte.

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Referente a esse episódio, a Secretaria de Educação falou não admitir práticas que incentivem violência ou discriminação. Segundo representantes da instituição, o caso foi uma atitude isolada de uma aluna, que foi orientada a parar a gravação assim que o monitor ouviu o teor do que estava sendo gravado.

PARANÁ TEM 312 ESCOLAS CÍVICO-MILITARES

O Paraná tem 312 escolas cívico-militares, que atendem ao menos 190 mil estudantes. O modelo passou a ser implementado no estado em 2020. Nessas escolas, a gestão é compartilhada entre civis, responsáveis pela parte pedagógica, e militares da reserva, que cuidam da disciplina e rotina.

Sindicato critica o modelo. "Absurdos como esse do vídeo não são casos isolados. Desde o início deste programa (unidades cívico-militares), temos recebido e denunciado ocorrências semelhantes e até piores em escolas que adotaram o modelo cívico-militar", disse o APP-Sindicato.

O programa é alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. No ano passado, o relator da ação, Dias Toffoli, determinou que o caso fosse levado ao plenário para julgamento, mas não há prazo para que isso aconteça.

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