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Evento de petroleiras no Rio é chamado de 'saldão do fim do mundo' em protesto

FolhaPress 23/09/2024 17:54

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A maior conferência do setor de petróleo do país foi alvo nesta segunda-feira (23) de protesto de organizações ambientalistas, que batizaram o evento de "saldão do fim do mundo" e questionam sua realização em paralelo à Semana do Clima em Nova York.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O governo brasileiro vem sendo duramente criticado por apresentar o país como líder na transição energética ao mesmo tempo em que incentiva a abertura de novas fronteiras para a exploração de combustíveis fósseis no país.

"Enquanto uma parte do governo brasileiro participa da Semana do Clima em Nova York, com foco em discutir ações concretas para enfrentar a crise climática, outra parte recebe os principais executivos do setor fóssil do mundo", criticou, em nota, diretor para América Latina e Caribe da 350.org, Ilan Zugman.

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O evento no Rio tem como principal patrocinador a Petrobras e participação das maiores petroleiras globais. É hoje chamada de ROG.e, mas já foi Rio Oil and Gas: as palavras óleo e gás foram retiradas do nome, que ganhou um "e" em referência a outras fontes de energia.

A mudança é parte de um esforço do setor para se posicionar como parte da transição para uma economia mais renovável, garantindo o suprimento de energia "confiável e barata" enquanto o mundo migra para novas tecnologias.

As organizações ambientalistas, porém, defendem cortes mais rápidos na produção global de petróleo, alegando que o mundo já vem sofrendo com catástrofes provocadas pelas mudanças climáticas, como as inundações no Rio Grande do Sul e, mais recentemente, os incêndios em boa parte do país.

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"O Brasil vem sofrendo alguns de seus piores eventos climáticos extremos, a resposta deveria ser fácil, mas até o momento não é. O país busca protagonismo internacional na agenda climática através do G20 e da COP30, então, chegou a hora de tomar suas decisões", disse Zugman.

Na campanha, questionam os elevados salários dos executivos das principais operadoras do mundo. "Eles lucram, a gente sofre", dizem peças espalhadas pela cidade. Em 2022, por exemplo, o CEO da ExxonMobil, a maior petroleira americana, recebeu US$ 32 milhões entre salários e bônus.

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"As grandes empresas de petróleo deveriam priorizar investimentos para as soluções energéticas capazes de reduzir a demanda por óleo e gás e incluir em seus planos estratégicos o cronograma e os recursos para descontinuar o uso do petróleo", afirmou Ricardo Baitelo, gerente de projetos do Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente).

O setor defende que vem investindo em descarbonização de suas operações, com o objetivo de atingir emissões líquidas zero até 2050. A conta, no entanto, só inclui as atividades próprias e não as emissões pelo consumo do petróleo, que são muito superiores.

Já o governo alega que o Brasil tem matriz energética limpa e não pode prescindir da riqueza do petróleo. "Não podemos e não vamos abrir mão de conhecer o verdadeiro potencial petrolífero do país", afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em discurso na cerimônia de abertura do evento.

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