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Estudo liga uso de Mounjaro e Ozempic a risco elevado de perda de visão

Vitória News 26/05/2025 10:07

Dois dos medicamentos mais populares atualmente para controle de diabetes tipo 2 e emagrecimento, o Mounjaro (tirzepatida) e o Ozempic (semaglutida), estão sendo associados a um risco significativamente maior de perda irreversível da visão, de acordo com um estudo do Mass Eye and Ear Hospital, da Harvard Medical School. A pesquisa aponta que o Mounjaro aumenta em até 7 vezes a incidência de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA), enquanto o Ozempic eleva esse risco em até 4 vezes em comparação com outros medicamentos semelhantes.

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Além disso, o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier e membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), alerta para os dados de uma recente publicação na revista científica BMC Medicine, que analisou mais de 400 casos de perda de visão relacionados ao uso de semaglutida nos Estados Unidos. A base do estudo são os relatórios de eventos adversos do FDA, órgão regulador norte-americano equivalente à Anvisa.

“Este é um alerta para consultar um oftalmologista e interromper a injeção ao primeiro sinal de dor nos olhos ou qualquer outra alteração”, afirma Queiroz Neto.

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Segundo o especialista, a popularização dessas injeções pelo mundo — e no Brasil, onde 56% da população está acima do peso, segundo o Ministério da Saúde — exige cuidados redobrados. Ele destaca que o Instituto Penido Burnier tem recebido pacientes de diversas especialidades para avaliação da saúde ocular antes do início do uso dessas medicações.

Entenda a NOIA-NA

A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) é uma das principais causas de perda súbita e indolor da visão em pessoas com mais de 50 anos. De origem multifatorial, geralmente afeta apenas um olho e pode causar dano visual permanente. A condição é mais comum entre diabéticos, especialmente os que convivem há mais tempo com a doença.

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“A NOIA-NA atinge as células nervosas do disco óptico e pode causar o infarto da cabeça do nervo óptico caso a papila tenha alguma alteração. Por isso, a comunidade médica está se unindo para evitar o uso indiscriminado dessas injeções”, ressalta Queiroz Neto.

Fatores de risco para a NOIA-NA

O médico destaca os principais fatores que aumentam a vulnerabilidade à neuropatia:

  1. Hipotensão arterial noturna, que reduz o fluxo sanguíneo para o nervo óptico.

  2. Disco óptico pequeno ou irrigação deficiente por outras condições médicas.

  3. Doenças sistêmicas como hipertensão, colesterol alto e apneia do sono.

  4. Glaucoma — responsável pelo aumento da escavação do nervo óptico.

  5. Uso de medicamentos vasodilatadores, como o Viagra (sildenafil).

  6. Tabagismo, por provocar alterações vasculares.

  7. Uso de medicamentos como o Inderal por pacientes cardíacos.

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Avaliação oftalmológica antes do uso

Antes de iniciar o tratamento com Mounjaro ou Ozempic, Queiroz Neto recomenda uma avaliação oftalmológica completa, incluindo exames como retinografia ou tomografia de coerência óptica (OCT), que gera imagens em 3D da retina e do nervo óptico.

Caso o exame identifique sinais de obstrução papilar, o uso das injeções deve ser descartado. Mesmo quando não há contraindicações iniciais, o acompanhamento oftalmológico periódico é fundamental.

A orientação vale tanto para pacientes diabéticos quanto para quem busca o medicamento como auxílio no emagrecimento — uso que vem se popularizando rapidamente e que, segundo especialistas, demanda cautela diante dos riscos visuais associados.

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