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Estudantes de Direito são investigados por dar choques em morador de rua e filmar as agressões

Estadão Conteúdo 14/04/2026 20:35

Dois estudantes do curso de Direito do Centro Universitário do Pará (Cesupa) são investigados por aplicar choques elétricos em um homem em situação de rua e filmar as cenas durante as agressões. O caso aconteceu na última segunda, 13, nos arredores do Cesupa, em Belém, capital do Estado.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Conforme as imagens, que circulam nas redes sociais, um dos dois estudantes se aproxima do homem em situação de rua e aplica os choques pelas costas, enquanto o outro filma as agressões. A vítima, que estava sem camisa, se vira após o golpe e o suspeito corre para se afastar. Eles riem da cena.

Conforme as investigações, o responsável pelos ataques é Altemar Sarmento Filho, enquanto Antônio Coelho aparece como autor das gravações. De acordo com os vídeos, a dupla pratica o ato mais de uma vez e, para escapar, chega a se refugiar dentro do Cesupa. Ambos prestaram depoimento à polícia nesta terça-feira, 14.

Humberto Boulhosa, advogado de Altemar Filho, afirmou nesta terça-feira que aguarda o avanço das investigações e o desenrolar do inquérito para estruturar a defesa do cliente. Ele declarou ainda não ser favorável a qualquer "tipo de atentado contra quem quer que seja".

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Tiago Brito, que representa Antônio Coelho, disse que seu cliente não foi intimado pela polícia e se apresentou de forma espontânea. Questionado sobre a autoria das gravações, o defensor afirmou que também aguarda o avanço das investigações.

As agressões geraram reação de autoridades e da comunidade acadêmica. O prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), informou que equipes da prefeitura identificaram a vítima, que foi encaminhada a um centro de acolhimento municipal.

A Polícia Civil informou que um boletim de ocorrência foi registrado na Seccional de São Brás e que um inquérito foi instaurado para apurar o caso. "O dispositivo de choque utilizado pelos investigados foi apreendido e será periciado", informou a corporação.

O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma apuração, por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) no Estado, órgão responsável pela defesa dos direitos humanos.

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Como medidas iniciais, o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Sadi Machado, requisitou informações à universidade particular para a qual o agressor teria retornado após o ataque e encaminhou representação ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) para apuração criminal do caso.

Ao Estadão, Sadi informou que a vítima é um homem com problemas de saúde mental e que vive na rua há pelo menos seis anos.

O Ministério Público do Pará (MPPA) informou que acompanha a ocorrência. Segundo o órgão, o ato pode se enquadrar, em tese, como crime de lesão corporal, com possível agravante pela vulnerabilidade da vítima e pela reiteração dos ataques.

"O MPPA adotará as medidas cabíveis, incluindo a requisição de inquérito policial e, havendo suporte probatório, o oferecimento de denúncia", informou a promotoria.

Centro universitário afasta estudantes

Em nota, o Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa) lamentou o ocorrido envolvendo alunos da instituição e informou que, ao tomar conhecimento do caso, afastou os dois estudantes das atividades acadêmicas.

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"A instituição realizará o afastamento imediato dos alunos de suas atividades acadêmicas e abrirá procedimento administrativo interno para a devida apuração dos fatos", afirmou, em nota.

A Associação Atlética de Direito Jurisparta e o Centro Acadêmico de Direito Otávio Mendonça (Cadom) também repudiaram as agressões contra o homem em situação de rua e afirmaram que a conduta dos estudantes não condiz com os valores do curso.

"Não há qualquer justificativa moral, jurídica ou humana para as violências praticadas. A vítima, em situação de rua, é sujeito pleno de direitos e merece proteção, não agressão", afirmaram as entidades, em nota conjunta.

Prefeitura diz ter acolhido vítima

O prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), classificou o caso como "revoltante" e "inaceitável". Em pronunciamento nas redes sociais, afirmou que as equipes da administração municipal já haviam identificado a vítima e a encaminhado a um centro de acolhimento.

"Para que ela possa ser tratada com carinho, com respeito e com cuidado", disse.

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