A estátua equestre de Joana d’Arc, localizada na Praça Saint-Augustin, em Paris, ficou temporariamente sem sua espada na sexta-feira (2), após um episódio de vandalismo que mobilizou a polícia e levou à prisão de um suspeito. O monumento permaneceu por várias horas sem o objeto simbólico enquanto as autoridades analisavam as circunstâncias do caso e iniciavam a investigação preliminar.
Um século após roubo, Oxford recebe exemplar pessoal de Lewis Carroll de 'Alice no País das Maravilhas'; entenda
Poucos sabem, mas há um apartamento no topo da Torre Eiffel; conheça a história
O incidente ocorreu por volta das 10h (horário local), no 8º arrondissement da capital francesa. Imagens de câmeras de segurança, analisadas pelas autoridades municipais, mostram um homem se aproximando da escultura, sacudindo-a com força, subindo sobre o cavalo e conseguindo derrubar a espada de bronze com um único golpe. A gravação permitiu reconstruir a sequência dos fatos e facilitou a rápida atuação policial, segundo informou Karen Taïeb, vice-prefeita responsável pelo patrimônio histórico.
O suspeito, cuja identidade e idade não foram divulgadas, fugiu levando a espada danificada, mas foi interceptado por uma patrulha a poucos metros do local. A arma foi recuperada e o homem detido, de acordo com os jornais Le Parisien e Le Figaro. Após a prisão, ele foi levado sob custódia e submetido a uma avaliação psiquiátrica. A prefeitura do 8º arrondissement confirmou que uma queixa formal foi registrada.
Investigação e preservação do patrimônio
As motivações do ato ainda não estão claras. A investigação apura se o episódio se trata de um ato isolado de vandalismo ou se houve alguma intenção específica. Nenhuma hipótese foi descartada até o momento, especialmente diante do encaminhamento do suspeito para exames médicos após a prisão.
Segundo Karen Taïeb, em declaração ao site Sortir à Paris, a espada passará por um exame técnico detalhado. Especialistas avaliarão se a peça original pode ser restaurada ou se será necessária a produção de uma réplica fiel para devolver à estátua sua aparência original o mais rapidamente possível. A vice-prefeita ressaltou o caráter excepcional do episódio e a responsabilidade envolvida na preservação do patrimônio parisiense, considerado parte central da identidade coletiva da cidade.
A obra, criada pelo escultor Paul Dubois em 1895, pertence ao acervo do Museu d’Orsay e está exposta temporariamente no espaço público, segundo o Le Figaro. Após uma restauração realizada em 2021, a escultura passou a se destacar por ser a única representação parisiense de Joana d’Arc empunhando uma espada na mão direita, reforçando seu valor simbólico e histórico.
A reação no entorno foi imediata. “Mas o que ele queria fazer com aquilo?”, questionou um garçom de um café próximo, em relato ao Le Parisien, refletindo a perplexidade dos moradores. O caso reacendeu o debate sobre a segurança de monumentos e a proteção de obras de arte em espaços públicos.
Este não é o primeiro episódio envolvendo representações de Joana d’Arc na cidade. Em 2019, a estátua da Place des Pyramides teve sua bandeira temporariamente removida, em uma intervenção autorizada, lembra o Le Parisien. Desta vez, porém, o caso levantou preocupações mais amplas sobre vandalismo e vigilância.