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Estado e prefeitura instalam grades na cracolândia e delimitam espaço de usuários em rua

FolhaPress 20/06/2024 13:47

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As gestões do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB) instalaram grades na rua dos Protestantes, onde está fixada a maior aglomeração de usuários de drogas na região central de São Paulo, para a criação de um "corredor da saúde", nome usado pelas gestões para a iniciativa.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os cavaletes de ferro foram colocados na terça-feira (18) e servem para delimitar o espaço ocupado pelos usuários e deixam uma faixa da rua livre. A Folha apurou que a ideia do governo estadual é permitir a aproximação dos agentes de saúde e liberar o fluxo de carros, interrompido neste trecho da rua por causa do fluxo de dependentes. Outro objetivo é manter o tráfico de drogas mais exposto para permitir a atuação das polícias.

Com isso, formou-se um triângulo na rua dos Protestantes. Além das grades de ferro, o espaço nas outras duas extremidades por um tapume e barreiras de concreto enfileiradas.

O uso das grades no local foi decidido de forma conjunta entre agentes municipais e estaduais que atuam na cracolândia e se reúnem mensalmente para discutir medidas e resultados de ações no território. Os encontros são liderados pelo vice-governador Felício Ramuth (PSD) e pelo secretário municipal de Projetos Estratégicos, Edsom Ortega. Como as grades pertencem ao município, a instalação foi feita por funcionários da prefeitura.

SESC PICASSO

As mesmas estruturas foram usadas pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para cercar a praça da Sé em abril do ano passado. Na ocasião, o ponto histórico da capital registrava alta nos índices de roubos e assaltos – o 1º distrito policial, que inclui a Sé, registrou no primeiro bimestre de 2023 a maior quantidade de roubos da série histórica, iniciada em 2002. Segundo a prefeitura, as grades foram instaladas como parte de ações de zeladoria.

Atualmente, mais de um ano depois, as grades não cercam mais a praça e, segundo o governo estadual, os índices de roubo e de furtos na Sé reduziram.

Nesta terça, foram contabilizadas 242 pessoas na cracolândia, a menor concentração desde o dia 30 de janeiro, quando foi registrado o mesmo número na contagem realizada duas vezes por dia por drones da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e da Polícia Militar.

Há cerca de seis semanas a média que beirava 600 pessoas por dia ficou abaixo de 400, no período da tarde.

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Em quase um ano, uma série de mudanças da gestão da cracolândia por parte dos entes públicos impactou o comportamento dos dependentes. Em vez de ficarem o dia todo no mesmo ponto, grupos maiores passaram a se movimentar com mais frequência pelo centro.

Entre os motivos citados pelos usuários para manter a rotina itinerante estão o aumento das prisões, sobrevoo constante de drones e a proibição por parte da polícia de acessarem a rua dos Protestantes com mochilas, sacolas, bolsas ou bicicletas, usadas supostamente para esconder a droga.

O fluxo da cracolândia se fixou na rua dos Protestantes após ocupar por cerca de quatro meses o entorno da rua Santa Ifigênia. A proximidade dos usuários com o centro comercial de produtos eletrônicos levou a uma série de cenas de violência e confusão, sucessivos saques nas lojas e protesto de comerciantes por mais segurança.

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