Estado monitora risco de calor, estiagem e chuva intensa durante o fenômeno, que deve influenciar o clima entre a primavera e o verão
O Governo do Espírito Santo informou que está acompanhando de forma permanente a evolução do El Niño 2026/2027 e reforçando ações preventivas para reduzir possíveis impactos no Estado. As projeções meteorológicas indicam possibilidade de um evento de moderada a forte intensidade, com maior influência entre setembro e dezembro de 2026.
De acordo com a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDEC), o fenômeno pode provocar temperaturas acima da média histórica e maior irregularidade na distribuição das chuvas. A tendência é de períodos secos mais prolongados, principalmente nas regiões Norte e Noroeste, enquanto áreas do litoral e do Sul do Estado podem registrar episódios pontuais de chuva intensa.
A Defesa Civil destaca que o El Niño não significa, por si só, a ocorrência de desastres, mas altera as probabilidades climáticas e exige atenção dos órgãos públicos. Como os impactos dependem da combinação com outros sistemas atmosféricos, o monitoramento será atualizado continuamente ao longo dos próximos meses.
Para o secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Victor Ricciardi, a prioridade é agir com planejamento. “O Espírito Santo não está diante de um cenário de pânico, mas de planejamento. O Governo do Estado vem trabalhando de forma integrada, com base em dados científicos e monitoramento permanente, para antecipar ações e reduzir possíveis impactos sobre a população, os recursos hídricos e a produção rural”, afirmou.
Entre as medidas já em andamento estão o fortalecimento dos sistemas de monitoramento e alerta da Defesa Civil, a mobilização de brigadas de prevenção e combate a incêndios florestais, a fiscalização do uso da água, o acompanhamento das bacias hidrográficas e a análise das condições meteorológicas em tempo real.
As ações envolvem órgãos como a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), o Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES), a Polícia Militar Ambiental e a Defesa Civil Estadual.
No campo, o Incaper deve intensificar orientações aos produtores rurais sobre manejo da vegetação, uso racional da água e práticas capazes de aumentar a resistência das propriedades aos períodos de estiagem. A agricultura familiar é tratada como uma das áreas mais sensíveis diante de secas prolongadas.
A segurança hídrica também está entre as prioridades. A Agerh ampliará o monitoramento das vazões de rios e reservatórios e vai orientar usuários sobre o consumo consciente de água. Ao mesmo tempo, programas como o Reflorestar e investimentos em adaptação climática seguem como parte da estratégia estadual para reduzir riscos diante de eventos extremos.
Segundo o Governo do Estado, entre 2022 e 2025, os investimentos em obras de adaptação climática por meio do Fundo Cidades somaram mais de R$ 748 milhões, beneficiando diretamente cerca de 783 mil capixabas. Os recursos foram aplicados em intervenções como barragens, drenagem, macrodrenagem, bacias de contenção, desassoreamento de rios, contenção de encostas, reservação hídrica e perfuração de poços artesianos.
Ricciardi afirmou que o Estado chega ao período de maior atenção com estrutura de monitoramento e resposta já consolidada. “Temos hoje uma rede de monitoramento mais robusta, planos de adaptação em implementação e uma atuação integrada entre diferentes instituições. Isso nos permite agir preventivamente, proteger as populações mais vulneráveis e responder com rapidez sempre que necessário”, destacou.
A Defesa Civil Estadual orienta a população a acompanhar os canais oficiais de informação e seguir recomendações sobre uso consciente da água, prevenção de queimadas e cuidados com a saúde durante períodos de calor intenso.
Embora as projeções indiquem maior atenção entre a primavera e o início do verão, os órgãos estaduais avaliam que o Espírito Santo possui planejamento, capacidade operacional e integração institucional para enfrentar os possíveis efeitos do El Niño e reduzir riscos à população.