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Especialistas criticam operação no Rio e apontam falhas graves

Vitória News 29/10/2025 06:14

A megaoperação policial realizada nesta terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão transformou o dia de mais de 150 mil moradores em um cenário de guerra. Durante horas, a população viveu sob tiros e explosões em uma ação que também paralisou vias, escolas e postos de saúde em diversos bairros do Rio de Janeiro.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo o governo estadual, a Operação Contenção deixou 64 mortos, entre eles quatro policiais, além de 81 presos e 93 fuzis apreendidos. É considerada a maior operação dos últimos 15 anos e a mais letal da história do estado.

Impacto e críticas de especialistas
Para pesquisadores e especialistas em segurança pública, a operação teve grande impacto, mas não atingiu seu objetivo de conter o crime organizado. “Essa lógica de medir força armada com o tráfico sempre resultou em mortes e perdas sociais. A economia e os serviços públicos são afetados, e o problema do crime permanece intacto”, afirmou o professor José Cláudio Souza Alves, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Ele defende que o enfrentamento à criminalidade deve incluir inteligência, investigação e alternativas sociais. “É preciso disputar território oferecendo oportunidades, renda e qualidade de vida. Se o Estado não fizer isso, o crime continuará dominando”, avaliou.

“Lambança político-operacional”
A professora Jacqueline Muniz, da Universidade Federal Fluminense (UFF), classificou a ação como uma “lambança político-operacional”. Segundo ela, houve falhas táticas graves que contrariam protocolos de segurança.

SESC PICASSO

“Para colocar 2,5 mil policiais nas ruas, seria preciso planejar uma estrutura de até 10 mil agentes. Isso comprometeu o policiamento de até 5 milhões de pessoas na região metropolitana. A operação esquentou áreas críticas, expôs moradores e reduziu a segurança da cidade”, afirmou.

Muniz ressaltou que a operação tinha motivação política e foi mal executada. “A finalidade foi politiqueira, pondo em risco a vida de policiais e cidadãos. Polícia é profissão, não improviso.”

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Avanço do crime e omissão do Estado
De acordo com o governo do estado, a operação visava cumprir mandados de prisão e conter a expansão do Comando Vermelho. Pesquisas do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF e do Instituto Fogo Cruzado mostram, no entanto, que a facção ampliou seu domínio territorial de 2022 para 2023, passando a controlar 51,9% das áreas sob influência de grupos criminosos.

O Instituto Fogo Cruzado também criticou a operação. Em nota, afirmou que “combater o crime exige atacar fluxos financeiros, investigar lavagem de dinheiro e fortalecer corregedorias independentes — tudo o que o Rio de Janeiro não faz há décadas”.

A organização classificou a ação como “a maior chacina policial da história do estado”, superando as tragédias do Jacarezinho (2021), com 28 mortos, e da Vila Cruzeiro (2022), com 24 mortos.

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