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Escola sem Partido entra com ação contra gestão Tarcísio para liberar uso de celular em escolas

FolhaPress 22/05/2025 09:33

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O movimento Escola sem Partido, que diz combater uma suposta doutrinação política e ideológica no ensino, entrou com uma ação contra o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) para alterar a lei estadual que proíbe os alunos de usarem celular dentro das escolas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A ação, de autoria do advogado Miguel Nagib, criador do movimento, defende que a lei aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada por Tarcísio afronta a legislação nacional sobre o tema, sancionada pelo presidente Lula (PT).

Procurado, o governo paulista disse que não iria comentar a ação porque ainda não foi intimado.

As duas leis proíbem o uso do celular em todo o ambiente escolar, incluindo as aulas e intervalos. A legislação paulista, no entanto, define que os alunos não podem ter acesso aos aparelhos, o que impede, por exemplo, que eles sejam guardados nas mochilas.

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Já a lei federal diz que as escolas e redes de ensino têm autonomia para definir como será o armazenamento dos aparelhos, sob o entendimento de que existem diferentes realidades escolares. Ou seja, garante aos estados autonomia para decidir se os alunos podem ou não guardar os aparelhos.

Para Nagib, ao proibir o acesso ao celular, a lei paulista infringe o que ele defende ser um direito fundamental dos estudantes: gravar os professores em sala de aula.

"A lei nacional não permite o uso recreativo dos celulares, mas pressupõe que os alunos estejam na posse dos aparelhos para poder utilizá-los, quando necessário, em situações de perigo ou necessidade e para a defesa dos seus direitos", disse o advogado à reportagem.

A lei nacional prevê exceções para a proibição do uso de celular dentro da escola em "situações de estado de perigo, estado de necessidade ou caso de força maior".

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Para Nagib, supostos episódios de doutrinação dos professores se enquadrariam nas situações de estado de risco previstas pela lei. Por isso, diz que não apenas não considera o uso do celular como nocivo no ambiente escolar, mas ainda o defende como "necessário para a proteção dos direitos dos alunos".

O Escola sem Partido foi criado em 2004 sob o pretexto de combater a doutrinação de esquerda nas escolas brasileiras. Com o tempo, o movimento incorporou ainda o combate a abordagens de conteúdos ligados a gênero ou educação sexual.

O movimento ganhou força e suas pautas viraram plataforma eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 2019, no entanto, após uma série de derrotas judiciais que vetaram as ideias defendidas pelo Escola sem Partido, Nagib anunciou a suspensão das atividades do grupo.

O advogado, no entanto, retomou os trabalhos do movimento neste ano e elegeu a lei de proibição ao uso de celular como novo alvo. A reportagem questionou Nagib sobre o que teria motivado a volta do movimento, mas ele disse que preferia não responder neste momento.

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Questionado sobre as pesquisas que relacionam o uso do celular na escola a prejuízos no aprendizado, concentração e socialização, Nagib disse considerar que a utilização só é nociva quando é feita com intenção "recreativa" por parte das crianças e adolescentes.

O advogado defende ainda que, caso o governo Tarcísio queira seguir com a proibição do uso de celular pelos alunos, deveria adotar nas escolas um programa "análogo ao das câmeras corporais da Polícia Militar".

"Se houvesse transparência nas escolas —câmeras e gravadores em todas as salas de aula e espaços de convivência dentro das escolas, com livre acesso dos pais e estudantes às gravações—, o Escola sem Partido não estaria tentando garantir na Justiça o direito dos estudantes ao porte do celular nas escolas", disse.

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