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Entenda o que é morte encefálica e se o quadro pode ser reversível

FolhaPress 07/03/2025 18:45

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após sofrer um acidente de carro e ter a morte encefálica atestada, o jogador sub-20 Pedro Severino, 19, do Red Bull Bragantino, teve o diagnóstico revertido depois de apresentar um "quadro de reflexo de tosse persistente".

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em nota, o Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, em Americana (SP), onde o jogador estava internado informou ter interrompido o protocolo de morte encefálica, mas que o jovem continuará com sedação e ventilação mecânica. Ele foi transferido na manhã desta quinta-feira (6) para a Unimed de Ribeirão Preto, para continuidade de tratamento.

O protocolo do jogador foi iniciado às 16h30 da terça-feira (4). Segundo o hospital, será retomado caso Severino não apresente mais reflexos.

Raphael Ribeiro Spera, médico neurologista do Hospital Sírio Libanês e membro da ABN (Academia Brasileira de Neurologia), explica o que é a morte encefálica e como ocorre o protocolo que decreta este estado.

O QUE É MORTE ENCEFÁLICA

SESC PICASSO

Para ser decretada morte encefálica, o paciente tem que ter passado por um trauma grave, como acidentes automobilísticos, parada cardiorrespiratória, meningite grave, entre outros problemas que comprometam o funcionamento das funções cerebrais.

"Geralmente, é uma agressão cerebral significativa, intensa e que leve o paciente a estado de coma arresponsivo", explica Spera. O quadro de coma arresponsivo acontece sem sedação e que, mesmo com estímulos, o paciente não responde.

Dentre os estímulos feitos estão os auriculares (nos ouvidos), nos dedos das mãos e pés e na sobrancelha. O paciente em morte encefálica também não pode ter nenhum fator tratável e tem que estar em observação no hospital por, pelo menos, seis horas, o que influencia no prazo para diagnóstico.

ETAPAS DO PROTOCOLO DE MORTE ENCEFÁLICA

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Após a série de testes iniciais, o paciente é submetido a uma avaliação para constatar a morte encefálica. Segundo Spera, geralmente o primeiro passo é feito com um exame de neuroimagem, como tomografia ou ressonância, que consegue mostrar a gravidade da lesão no cérebro.

O exame de imagem avalia as três estruturas do tronco encefálico e, a partir do resultado do exame, é discutido se é hora de abrir ou não o protocolo de amortização.

"Se houver comprometimento, na segunda parte checamos as pupilas com estímulo de soro gelado nos olhos para ver se o paciente pisca. Também viramos a cabeça para um lado e para o outro para ver se os olhos se movimentam", completa.

O terceiro teste é o de apneia, que só precisa ser feito uma vez. Nele o paciente fica desconectado do ventilador, mas continua recebendo oxigênio. Todas as etapas são repetidas por um outro profissional capacitado dentro de uma hora.

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Em cada país existe uma regra para avaliação das etapas deste protocolo. No Brasil, ao menos dois profissionais diferentes fazem os exames para constatar a morte encefálica. A pessoa capacitada para esse tipo de diagnóstico pode ser neurologista ou intensivista e tem que ter feito um curso específico de capacitação.

O último passo, quando o primeiro e o segundo são positivos, consiste ainda em um exame comprobatório de fluxo cerebral.

EM QUAIS CASOS O DIAGNÓSTICO É RETIRADO?

Em alguns casos, por falta da quantidade ideal de profissionais adequados a fazerem o diagnóstico, é comum que a comprovação de morte encefálica demore algumas horas ou dias a mais.

"Pessoas com lesões cerebrais irreversíveis ainda podem sobreviver por alguns dias, mas em algum momento o quadro evolui invariavelmente a óbito por conta das estruturas do cérebro que controlam, por exemplo, a temperatura, o índice de sódio, a diurese, que são coisas que passam a ser comprometidas", completa Spera.

Em casos de sobrevivência após um dano cerebral grave é comum que o paciente viva em estado vegetativo, segundo o especialista.

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