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Empresários desistem de viajar a Belém e participam de eventos pré-COP30 em São Paulo

FolhaPress 09/11/2025 18:04

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma plenária, diversas salas de reunião e pessoas de todo o mundo discutindo sobre mudança climática. A descrição poderia ser da COP30, a conferência da ONU que começa em Belém nesta segunda (10), mas é do Climate Implementation Summit, evento que reuniu centenas de empresários em um hotel em São Paulo no último sábado (8). Nem todos, porém, planejam ir à cúpula oficial.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Ulf Erlandsson, CEO e fundador do think tank sueco Anthropocene Fixed Income Institute, diz que participou das últimas duas conferências, sediadas em Dubai e Baku. Neste ano, ele viajou de Estocolmo a São Paulo para acompanhar as agendas dos investidores com os quais mantém contato.

O executivo afirma que tinha planos de ir à COP30, mas cancelou a ida após notar que poucos representantes do setor privado iriam comparecer.

"Muitas pessoas tiveram a mesma sensação de que seria difícil ir até lá", diz, em referência aos preços de hospedagem na capital paraense. "Todo mundo quer ir para onde a maioria das pessoas vai. Para o setor financeiro, claramente a atenção mudou de Belém para São Paulo."

SESC PICASSO

A cidade recebeu ao menos outros quatro grandes eventos empresariais na semana anterior ao início da conferência, como o PRI in Person e o Fórum de Negócios e Finanças da COP30, organizado pela Bloomberg.

Junio Magela, CEO da ESGscan, que monitora riscos ambientais em cadeias de valor, mora em Belo Horizonte e participou da programação pré-COP em São Paulo, mas não irá à cúpula oficial. "Eu vim para me conectar com as pessoas aqui, porque os custos em Belém estavam muito altos."

O site oficial do Climate Implementation Summit afirma que São Paulo tem "vários hotéis de 4 e 5 estrelas, com acomodações e instalações adequadas para sediar grandes eventos de padrão internacional, sem os desafios logísticos e os preços exorbitantes de Belém".

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, participou de forma remota do evento. "Estamos esperando vocês em Belém", disse.

CONTADOR - BONUS

Mahmud Muhtar trabalha na Securities and Exchange Commission, órgão regulatório do mercado de capitais da Nigéria, e viajou à capital paulista para acompanhar eventos pré-COP sobre investimentos verdes. Ir ao Pará, porém, não está em seus planos.

"Vou voltar direto para a Nigéria depois das atividades. Eu me sinto satisfeito em participar dessa programação em São Paulo, já consegui o que queria", disse. "A COP do Brasil é a minha primeira", afirmou, mesmo sem ir à cidade-sede.

Um empresário ligado ao Atlantic Council dos Estados Unidos trabalha com finanças climáticas e viajou de Washington a São Paulo para o Climate Implementation Summit, mas disse que não seguirá para Belém. Ele afirma que não poderia contribuir para a discussão lá.

O líder de uma empresa de finanças sustentáveis sediada em Washington disse, sob condição de anonimato, que gostaria de ir à COP30 e já tinha comprado a passagem de avião, mas os valores da hospedagem o fizeram cancelar a viagem. Comparecer a eventos prévios em São Paulo, segundo ele, seria o mais perto que conseguiria chegar de Belém.

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O executivo afirmou que chefes de outras empresas tampouco iriam ao Pará, concentrando a presença na capital paulista, por uma suposta maior praticidade. Para ele, a divisão dos setores ficou clara neste ano: governos em Belém, e finanças em São Paulo.

Já o líder de uma empresa alemã de projetos de restauração florestal disse que viajará a Belém na próxima semana, mas afirmou sob reserva que colegas dos EUA e da Alemanha não terão essa oportunidade devido aos valores de hospedagem.

Ele disse notar uma concentração do setor de negócios na capital paulista e pondera que a escolha de sediar a COP na amazônia foi corajosa, mas implicou em enormes custos, com os quais nem todas as companhias estariam dispostas a arcar.

Em entrevista à Folha antes do evento, Marina Cançado, uma das organizadoras do Climate Implementation Summit, emprestou o mote escolhido pelo governo Lula para a conferência para comentar a situação, "mutirão". "É isso. A gente precisa de todo mundo engajado na conversa e fazendo sua parte. O importante é a conexão acontecer, com todos juntos em Belém ou não."

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