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Empresa de Cariani que é alvo de investigação emitiu 60 notas frias em seis anos, diz PF

FolhaPress 12/12/2023 13:09

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de produtos químicos para fabricação de crack e cocaína, da qual o influenciador Renato Cariani é sócio, teria emitido 60 notas frias em um período de seis anos, em valores que somam R$ 6 milhões, de acordo com a Polícia Federal. A Anidrol é um dos alvos de operação deflagrada nesta terça (12) pela PF.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A corporação e o Ministério Público pediram a prisão de Cariani e de outras três pessoas —que não tiveram os nomes revelados—, mas os pedidos foram negados pela Justiça.

De acordo com Vitor Beppu Vivaldi, delegado da PF que chefia a investigação, os pedidos foram baseados na "reiteração delitiva". "O que motivou os pedidos de prisão tiveram como fundamentação a reiteração delitiva. No período de seis anos foram 60 eventos de emissão fraudulenta de 60 notas", afirmou.

A reportagem entrou em contato com a Anidrol, que disse que não se pronunciaria neste momento. Renato Cariani também foi procurado, mas não respondeu.

Segundo a PF, de 2014 a 2020, período investigado, foram desviadas 12 toneladas de produtos químicos como fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e acetato de etila, em total avaliado em R$ 6 milhões. Essa quantidade de produtos seria suficiente para produzir 19 toneladas de cocaína e crack, diz a investigação, que abasteceram o mercado interno brasileiro por meio de organizações criminosas

SESC PICASSO

A PF afirma que se concentrou em investigar os desvios de produtos químicos e que por isso ainda não há informações sobre os destinatários desses produtos, nem sobre a produção de drogas.

A operação começou após depósitos para a Anidrol na boca do caixa, em dinheiro vivo, que teriam sido feitos por uma grande farmacêutica —como se essa farmacêutica tivesse comprado produtos da Anidrol.

Assim que o dinheiro entrava na conta da Anidrol, valores semelhantes eram transferidos para uma empresa do ramo automobilístico. A hipótese da PF é que essa empresa automobilística era usada para a lavagem do dinheiro.

Ainda segundo a PF, essa grande farmacêutica comprovou que não havia comprado os produtos e que não tem a Anidrol na sua lista de fornecedores. A empresa também teria comprovado que não faz pagamentos em espécie.

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Os investigadores dizem acreditar que as notas eram faturadas em nome de grandes farmacêuticas porque estas têm um grande volume de produção e seria mais fácil "passar batido", sem levantar suspeitas. As notas, no entanto, foram verificadas pela Receita Federal, que abriu investigação contra três farmacêuticas, e assim o esquema foi descoberto.

"O esquema era bem sofisticado, com pessoas com amplo conhecimento e formadas nas áreas, como químicos" disse o delegado Vivaldi.

Segundo ele, as equipes ainda estavam nas ruas no final da manhã desta terça, e muito material foi apreendido —todo conteúdo será analisados e poderá dar origem a novas fases da operação.

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