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Em velório, família de estudante de medicina morto por PM pede Justiça

FolhaPress 22/11/2024 19:01

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O corpo do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22, é velado nesta sexta-feira (22) no cemitério Gethsêmani, no Morumbi, zona oeste de São Paulo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Acosta foi morto com um tiro disparado por um PM dentro de um hotel na Vila Mariana, zona sul, na madrugada de quarta-feira (20).

"Eu peço que seja feita a Justiça, que os responsáveis tenham a condenação que mereçam ter. Meu irmão era a nossa alegria. Era a alegria da minha casa. Sem ele nossa alegria foi embora. Nosso sorriso foi embora. A gente vai conviver a vida inteira com um buraco no coração", disse o cirurgião Frank Cardenas.

Ele contou ter sentido muita dor ao ver os pais terem que escolher o caixão do irmão caçula.

Frank segurava dois retratos com fotos do irmão, que disse ser seu melhor amigo. O cachorro de estimação de Acosta também foi levado ao cemitério.

O pai, o professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) Júlio César Acosta Navarro chamou o filho de "anjo travesso". Bastante abalado, ele agradeceu a imprensa por ter acompanhado o caso.

"Estava destruído. Tive que me levantar para defender a imagem do meu filho. A imagem que estava sendo desvirtuada", disse o pai.

Segundo a SSP, o policial autor do disparo foi indiciado por homicídio doloso e segue afastado do serviço operacional. "A Polícia Militar atua com rigor e não tolera desvios de conduta dos seus agentes. Todas as circunstâncias do fato são apuradas e as devidas punições serão aplicadas."

SESC PICASSO

O pai do estudante afirmou ter ficado mais aliviado ao saber que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se posicionou sobre o caso em uma rede social.

"Eu reclamei, denunciei essa injustiça contra o sistema. Ao final da noite muitas pessoas me ligaram com a notícia de que o governador publicamente tinha pedido desculpa, lamentando, reconhecendo o que nós pelo menos queríamos, que reconhecesse o crime. Isso pelo menos aliviou nosso coração para poder agora tranquilamente chorar e expressar nosso sentimento", afirmou.

Segundo a PM "o Inquérito Policial Militar citado foi instaurado pelo 12º BPM/M, com acompanhamento da Corregedoria da Instituição. A investigação está em andamento e seu encaminhamento ao Tribunal de Justiça Militar será realizado dentro do prazo legal, previsto no Código Penal Militar. Durante esse período, os policiais envolvidos permanecerão afastados das atividades operacionais".

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O corpo de Acosta foi sepultado pouco depois das 16h. O trajeto entre a sala de velório e túmulo foi feito a pé, com familiares e amigos se revezando no transporte do caixão —carregado sobre os ombros. Boa parte dos presentes vestiam roupas pretas.

Durante a cerimônia de despedida, todos permaneceram em silêncio. A mãe do jovem fez questão de chamar para perto dela a mulher que estava com o filho pouco antes de ele ser baleado. Houve uma oração seguida de músicas e salva de palmas.

O ouvidor das polícias de São Paulo, Claudio Aparecido da Silva, o Claudinho, acompanhou o enterro.

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