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Em greve, estudantes da USP bloqueiam reitoria com cordão humano e cobram novas negociações

Estadão Conteúdo 07/05/2026 13:23

Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) bloquearam com um cordão humano a entrada da reitoria da instituição, na manhã desta quinta-feira, 7, em meio à greve estudantil que já dura três semanas e cobra ampliação da assistência socioeconômica e melhores condições de permanência universitária.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O ato começou no início da manhã, por volta das 6h, quando alunos se organizaram lado a lado ao redor do prédio. Uma segunda manifestação está agendada para as 14h.

Entre as reivindicações também está o retorno das negociações com a gestão da universidade, que encerrou tratativas no início da semana após três reuniões nos quais foram obtidos avanços, na visão da reitoria. A decisão foi criticada pelos estudantes.

Em publicação nas redes sociais, o DCE Livre da USP, afirmou que a ocupação é uma resposta à postura da administração da universidade diante da paralisação. "Se a reitoria não vai nos receber hoje [quinta-feira], não tem motivo para ela funcionar", escreveu o DCE.

Na publicação os estudantes também criticam declarações do reitor, Aluisio Segurado, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, interpretadas pelo movimento como tentativas de enfraquecer a mobilização. "Quem decide quando a greve dos estudantes acaba são os próprios estudantes", afirmam.

SESC PICASSO

O principal ponto de divergência entre os alunos e a reitoria é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), principal política de assistência socioeconômica da universidade. Atualmente, os benefícios variam entre cerca de R$ 330 para estudantes com moradia e R$ 885 mensais para auxílio integral, além da gratuidade nos restaurantes universitários.

A USP propôs um reajuste baseado no índice IPC-FIPE. Com isso, o valor integral passaria para R$ 912 mensais, enquanto o auxílio parcial com moradia subiria para R$ 340. Os estudantes, no entanto, reivindicam que o benefício seja equivalente ao salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1.804, além da ampliação do programa.

Segundo a reitoria, o PAPFE atendeu 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em abril. O orçamento previsto pela universidade para 2026 destinado a auxílios, bolsas, moradia estudantil, restaurantes universitários, esporte e assistência à saúde é de R$ 461 milhões.

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As condições dos restaurantes universitários também estão entre as principais reclamações dos estudantes. Nos últimos meses, alunos relataram problemas recorrentes de qualidade da alimentação, incluindo denúncias de comida estragada e presença de larvas no restaurante da Faculdade de Direito.

A greve teve como estopim a criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace), um bônus destinado a docentes. Após pressão e mobilização, os trabalhadores conquistaram isonomia na medida e encerraram a paralisação. Já os estudantes decidiram manter o movimento grevista e ampliar as reivindicações ligadas à permanência estudantil.

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