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Eliane Caffé não sabe articular suas ideias no novo 'Filhos do Mangue'

FolhaPress 22/07/2025 13:31

(FOLHAPRESS) - É difícil saber o que pensa Eliane Caffé em seu novo filme, "Filhos do Mangue". Começa com um homem, Pedro Chão -papel de Felipe Camargo- que caminha sem direção por uma praia. Logo ele é preso e levado por outros pescadores para uma reunião, onde as pessoas querem saber onde está o dinheiro de um roubo em que ele tomou parte.

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Acontece que o homem perdeu, ou diz que perdeu a memória, o que altera toda a reunião. O que era uma assembleia para discutir o destino do dinheiro se torna uma briga entre homens e mulheres. As mulheres exigem seus direitos de homens que tergiversam. No privado, eles espancam suas mulheres.

Parece que a ideia de opor homens e mulheres não leva a muita coisa, de modo que, depois de meia hora, Pedro Chão é liberto e sai para uma vida doravante solitária.

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Diga-se, a bem da verdade, ele esteve envolvido em tráfico de garotas para prostituição. Coisa bastante cruel, que parece envolver sequestro de garotas e tal. Vemos a sequência e fica a impressão de que o filme seria construído em flashbacks ou algo assim, mas é mera impressão -o barco aparece episodicamente, mas a coisa não vai adiante.

Desse momento e dessa associação do homem com a prostituição resultará talvez a mais bela sequência do filme. Pedro nada, sozinho; de repente para, afunda, como se fosse se afogar. Imediatamente aparece, também na água, o rosto de uma menina que tínhamos visto no barco, onde estava visivelmente controlada por outros homens. Dela ouviremos, em outro momento, outras atrocidades por que passou.

A memória é a identidade, diz alguém com o homem. A perda de memória é a da identidade. Se é assim, ele se empenha em recuperá-la: sobrevive, rema na sua canoa, como se procurasse algo.

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Há o contato com a natureza, a compreensão da natureza como lugar de troca. Os caiçaras levantam a questão da ambição, de desejos descontrolados que levam, por exemplo, ao roubo. Ou à loucura. Pois talvez Pedro não se lembre, mas sua ex-mulher lembra que ele botou fogo na casa em que vivia na mesma ocasião em que, parece, perdeu a memória. Pouca coisa o liga a esse mundo que, afinal, era seu: a filha talvez o faça lembrar de alguma coisa.

Se o conjunto parece não raro confuso, os minutos finais são bem interessantes. De início, vemos Pedro no mangue, que passa em seu corpo a terra úmida, e mais gravetos e coisas assim, como se isso constituísse sua nova pele. É como se tentasse incorporar a sua antiga identidade. Em seguida, resgata uma rede do mangue. Depois, na praia, compõe uma trabalhosa, estranha escultura. Símbolo do quê?

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Impossível saber. Do esforço, do trabalho, talvez. No entanto, essa coisa inútil se presta à admiração. É o grande trabalho de Pedro Chão, de certo modo: essa inutilidade.

Com isso, Eliane Caffé chega à preocupação metafísica que habita outros de seus filmes -não, certamente, ou apenas de forma marginal, o melhor deles, "Era o Hotel Cambridge", de 2016.

De resto, não faltam ideias a este filme. Da vida na natureza à exploração dos ribeirinhos, passando pelos problemas das mulheres. No entanto, fica a impressão de que ou não entendi nada, ou, desta vez, a autora não conseguiu articulá-las.

FILHOS DO MANGUE

Avaliação Ruim

Classificação 14 anos

Elenco Felipe Camargo, Thiago Justino, Roney Villela

Produção Brasil, 2024

Direção Eliane Caffé

Onde ver Em cartaz nos cinemas

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