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El Niño deve deixar inverno menos frio e mudar regime de chuvas no Brasil

Fenômeno tende a reduzir a intensidade das ondas de frio, aumentar a chuva no Sul e ampliar o risco de seca em áreas do Norte e do Nordeste

Vitória News 21/06/2026 07:43

O inverno começou neste domingo (21) no Hemisfério Sul com uma característica diferente para o Brasil. Tradicionalmente marcada por queda nas temperaturas, a estação deve ter menos frio intenso em 2026 por causa da influência do El Niño, fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A previsão é de um inverno mais ameno em boa parte do país, especialmente a partir de agosto. Isso não significa ausência de frio, mas indica que as massas de ar polar devem ter atuação mais curta e menos persistente ao longo da estação.

O cenário foi apontado em estudo da consultoria em meteorologia Nottus. Segundo o levantamento, o inverno ainda pode começar com episódios de temperaturas mais baixas, mas o avanço do El Niño deve limitar a formação de ondas de frio prolongadas nos próximos meses.

O El Niño ocorre quando as águas superficiais de uma faixa do Pacífico Equatorial ficam pelo menos 0,5°C acima da média. A mudança altera a circulação dos ventos e influencia o comportamento das chuvas e das temperaturas em várias regiões do planeta.

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No Brasil, os efeitos costumam variar de acordo com a região. A tendência é de chuva acima da média no Sul, enquanto o Norte e o Nordeste podem enfrentar precipitações mais irregulares e menos intensas, aumentando a possibilidade de seca em algumas áreas.

No Centro-Oeste e em parte do Sudeste, o inverno deve ter períodos de tempo seco, maior amplitude térmica e episódios de calor fora de época. Os chamados veranicos, quando há vários dias seguidos de tempo firme e temperaturas elevadas em pleno outono ou inverno, podem ocorrer com mais frequência no interior do país.

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Para julho, o estudo indica possibilidade de chuva acima da média entre áreas do Sudeste e do Centro-Oeste. No Sul, os volumes devem ganhar força a partir do interior da região. Já em agosto, a chuva deve se concentrar mais no extremo Norte, na faixa leste do Nordeste e novamente no Sul.

A partir de agosto, a tendência é de aumento gradual das temperaturas em áreas do interior do Brasil. A combinação de tempo seco e ventos do Norte pode favorecer ondas de calor, principalmente na segunda metade do inverno.

Em setembro, a chuva deve ganhar força no Sul, com volumes acima da média histórica em algumas áreas. No Nordeste, por outro lado, a previsão aponta precipitação abaixo da média nas faixas leste e norte.

Apesar da expectativa de mais chuva na Região Sul, o estudo não indica, neste momento, risco de eventos extremos semelhantes às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Ainda assim, meteorologistas reforçam que o monitoramento deve continuar, já que o El Niño pode se intensificar ao longo do segundo semestre.

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O fenômeno também terá impacto sobre o setor elétrico. Como a matriz brasileira depende fortemente das hidrelétricas, a distribuição das chuvas influencia diretamente o nível dos reservatórios. Para 2026, a chuva no Sul e em parte do Sudeste pode ajudar o sistema. O cenário para 2027, no entanto, exige atenção maior, especialmente se houver aumento do consumo de energia por ondas de calor e redução das chuvas no Norte e no Nordeste.

A expectativa é de que o El Niño siga atuando pelo menos até o primeiro semestre de 2027. Caso o fenômeno ganhe força entre a primavera e o verão, seus impactos poderão ser sentidos com mais intensidade na agricultura, no abastecimento de água, na geração de energia e na prevenção de desastres climáticos.

Fonte: Agência Brasil, Nottus, Inmet e NOAA.

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