Atlas revela que municípios com melhores indicadores de ensino apresentam maior mobilidade econômica, enquanto desigualdades regionais, raciais e de gênero ainda limitam oportunidades
A educação é o fator mais associado à ascensão de renda no Brasil, segundo dados do Atlas da Mobilidade Social. O levantamento mostra que municípios com melhores resultados educacionais tendem a oferecer maiores oportunidades para que jovens de famílias pobres alcancem níveis mais elevados de renda na vida adulta.
Indicadores como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica mais alto e a redução da distorção idade-série aparecem diretamente relacionados a melhores resultados de mobilidade social. A análise indica que o acesso a uma educação de qualidade pode reduzir a permanência da pobreza entre diferentes gerações de uma mesma família.
As maiores probabilidades de ascensão social estão concentradas nas regiões Sul, Sudeste e em partes do Centro-Oeste. Em sentido contrário, municípios do Norte e do Nordeste apresentam, de modo geral, menores índices de mobilidade, revelando locais onde as dificuldades econômicas tendem a persistir entre pais e filhos.
A diferença entre os municípios é expressiva. Em Assis Brasil, no Acre, 84,4% dos jovens que nasceram em famílias pertencentes aos 25% mais pobres continuam nesse mesmo grupo de renda quando adultos. Em Ponte Serrada, em Santa Catarina, apenas 2,13% permanecem na faixa mais baixa.
Os dados também apontam que raça, gênero e origem familiar interferem diretamente nas possibilidades de crescimento econômico. Entre jovens brancos nascidos em famílias que estavam entre os 25% mais pobres, 36,3% permanecem nesse grupo na vida adulta. Entre os não brancos, a proporção sobe para 51,6%.
A desigualdade é ainda maior quando o recorte considera o gênero. Entre os homens filhos de famílias situadas na parcela mais pobre da população, 32,9% permanecem no mesmo nível de renda quando adultos. Entre as mulheres, o percentual chega a 65,1%.
O cenário se agrava entre as mulheres não brancas. Nesse grupo, 69% continuam entre os 25% mais pobres na vida adulta. Entre as mulheres brancas, a taxa é de 52,9%.
O Atlas da Mobilidade Social foi desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social em parceria com o Prospera Lab. As estimativas utilizam dados administrativos e pesquisas domiciliares para medir as possibilidades de ascensão econômica entre diferentes gerações no país.