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Eduardo Leite critica falhas de concessionária de energia no RS e quer apuração da Aneel

FolhaPress 08/04/2024 17:21

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Após uma série de falhas no serviço de distribuição de energia no Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite (PSDB) pediu um estudo para apurar a conduta da CEEE Equatorial, uma das concessionárias que atuam no Estado.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A inspiração para a medida foi a abertura de um processo na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a pedido do Ministério de Minas e Energia na segunda-feira (1º), para avaliar os trabalhos da Enel em São Paulo.

Em nota, a CEEE Equatorial afirmou que lamenta os prejuízos causados aos clientes e que trabalha para que o tempo de resposta seja mais rápido.

"Com o objetivo de avaliar a adoção de procedimento semelhante em relação à CEEE Equatorial, determinei a realização de um estudo sobre as medidas que foram solicitadas pelo Ministério de Minas e Energia à Aneel para apurar a atuação da Enel, concessionária que opera em SP", afirmou Leite na rede social X.

A empresa de energia gaúcha é alvo de críticas que se intensificaram em janeiro deste ano, quando um temporal atingiu o Rio Grande do Sul e deixou mais de 1 milhão de pessoas sem energia em cidades atendidas pelas concessionárias CEEE Equatorial e RGE.

SESC PICASSO

Nos dias posteriores, a CEEE Equatorial foi duramente questionada pela demora no retorno do abastecimento. Em Porto Alegre, maior cidade atendida pela companhia, o fornecimento só foi 100% retomado em 23 de janeiro, seis dias após as chuvas.

À época, o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), viralizou ao fazer um apelo público no X para que algum representante da concessionária se dirigisse em pessoa à administração municipal porque a prefeitura não conseguia contato com a empresa via telefone.

Ainda em janeiro, Leite se reuniu com a Agergs (Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS) e a Aneel para discutir a ampliação das medidas de fiscalização.

O estudo solicitado por Leite será elaborado por duas secretarias de estado, a Separ (Secretaria de Parcerias e Concessões) e a Sema (Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura), que devem fazer uma reunião conjunta nesta semana para elaborar um plano de trabalho.

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"Os itens que deverão fazer parte do estudo solicitado pelo governador Eduardo Leite levarão em conta os indicadores que constam no Relatório de Fiscalização da Atuação da CEEE-D Equatorial frente ao evento climático ocorrido no dia 16/01/2024, produzido pela Aneel e Agergs", disse a Sema, em nota.

A partir do estudo, será definido se o pedido de apuração será enviado ao Ministério de Minas e Energia, que dará ou não prosseguimento ao caso.

"Mesmo com os esforços, a rede elétrica do Rio Grande do Sul tem sofrido o impacto dos sucessivos temporais na região. A condição climática do estado gaúcho é uma singularidade no Brasil, vide os últimos episódios", diz a empresa. "Desde meados do ano passado, foram registrados sete eventos climáticos extremos, que danificaram drasticamente a infraestrutura elétrica no Estado", continua.

HISTÓRICO

A CEEE foi uma companhia estadual de energia até 2019, quando foi privatizada no primeiro ano da gestão de Leite. O grupo Equatorial venceu o leilão para assumir o serviço e promoveu reestruturações internas, incluindo a diminuição do quadro de funcionários.

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A distribuidora de energia, que atende 1,9 milhão de gaúchos em 72 municípios, está em penúltimo lugar no ranking de desempenho da Aneel, à frente apenas da Equatorial Energia Goiás -a concessionária assumiu a operação goiana em 2022, após a saída da Enel do estado em meio a críticas por sua atuação. Atualmente, a Enel faz a distribuição de energia em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.

A Enel cearense está em 19º lugar no ranking, enquanto as concessões em São Paulo e Rio de Janeiro estão empatadas em 20º.

Em São Paulo, a Enel é alvo de sucessivas reclamações de clientes devido à interrupções de serviço, e também atribui parte do problema a fatores climáticos extraordinários.

Na última quinta (4), o Procon paulista multou a Enel em R$ 12,9 milhões pelas falhas no fornecimento de energia no centro da capital. Desde que assumiu a concessão em São Paulo, a Enel já foi multada em mais de R$ 700 milhões.

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