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'É uma lógica da polícia que mata', diz ouvidor sobre morte de estudante por PMs

FolhaPress 21/11/2024 09:51

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ouvidor da polícia de São Paulo, Cláudio Silva, afirma que a morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22, é mais um reflexo da lógica instalada no estado. "É uma lógica da polícia que mata, que não respeita a vida e sequer respeita as regras da própria corporação em relação ao uso gradativo da força", disse.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Aluno do 5º ano de medicina da Universidade Anhembi Morumbi, Acosta foi morto na madrugada de quarta-feira (20) na Vila Mariana, zona sul da capital, após ser baleado por policiais militares durante uma tentativa de abordagem.

Ao observar as imagens, o ouvidor notou que os PMs não usaram o uso progressivo da força, uma técnica de segurança pública que evita a violência letal como primeira opção.

"O uso excessivo da força foi feito e isso culminou com a morte do jovem abordado", afirmou Silva. "Eles teriam condições de fazer o uso gradativo da força, render o jovem e colocá-lo à disposição da autoridade policial".

O ouvidor ressalta que as imagens mostram que os policiais estão numericamente superiores à pessoa abordada e que o estudante está sem camisa, portanto, visivelmente desarmado.

Segundo o registro policial, uma equipe da PM fazia patrulhamento na região da rua Cubatão, por volta das 2h, e foi acionada para atender uma ocorrência envolvendo o estudante.

SESC PICASSO

O rapaz, de acordo com o registro policial, estava agressivo e deu um tapa no retrovisor da viatura quando os policiais tentaram abordá-lo. Na sequência, saiu correndo e entrou em um hotel.

Os policiais seguiram Acosta até o hotel, onde houve o confronto. O rapaz derrubou um dos PMs, momento em que o parceiro fez um disparo que atingiu a vítima no abdômen.

O estudante morreu às 6h40 no Hospital Ipiranga, após duas paradas cardiorrespiratórias.

Em nota, a Secretaria da Segurança informou que a PM e a Polícia Civil investigam as circunstâncias da morte. Os policiais envolvidos prestaram depoimento, foram indiciados em inquérito e permanecerão afastados das atividades operacionais até a conclusão das apurações.

CONTADOR - BONUS

Uma testemunha do caso afirmou, em depoimento à polícia, ter discutido com o estudante de medicina momentos antes da abordagem dos policiais militares. Acosta teria consumido muita bebida alcoólica e ela teria sido agredida.

Cardenas era de uma família de médicos e planejava se tornar pediatra. Ele gostava de conviver com crianças, atuava como MC e jogava futebol nos momentos de folga.

"Era uma boa pessoa com um bom coração. Um filho amado e que ainda assim conseguia amar ainda mais seus pais", disse o irmão mais velho, o médico Frank Cardenas, 27.

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