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É mentira que problemas na segurança do Rio são resultado da ação do STF, diz Fachin

FolhaPress 05/02/2025 17:01

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal) afirmou nesta quarta-feira (5) que é errado dizer que o tribunal é o responsável pelo avanço das facções criminosas no Rio de Janeiro.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

É uma resposta de Fachin ao governador do Rio, Cláudio Castro (PL), e ao prefeito Eduardo Paes (PSD). Os dois têm acusado o Supremo de inibir a atuação policial com restrições a operações em comunidades do estado, em ação que ficou conhecida como ADPF das Favelas.

"Temos todos notícia da gravidade e complexidade das disputas territoriais, da presença de foragidos de outros estados sob proteção armada [...] Imputar problemas crônicos e de origem anterior à presente arguição a medidas impostas por esta Corte consiste não apenas em grave equívoco, mas em inverdade", disse Fachin.

A fala do ministro foi dada durante o julgamento da ADPF das Favelas, nesta quarta. O STF retomou a análise do mérito da ação e deve estabelecer, de forma definitiva, novos procedimentos para o uso de força das policiais nas comunidades do Rio de Janeiro.

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Castro disse, em outubro de 2024, que as restrições já impostas pelo Supremo causaram o "fortalecimento de cinco grandes instituições criminosas ligadas ao tráfico de drogas". No mesmo sentido, Paes criticou em janeiro as decisões do STF e disse que, desde o início das ações do Supremo, houve uma sensação de "resort do crime" na capital do Rio.

O julgamento da ADPF das Favelas começou em novembro de 2024, com a sustentação oral das partes envolvidas. A ação é movida pelo PSB e corre no Supremo desde 2019.

O advogado Daniel Sarmento, que representa o partido, diz que a política de segurança pública no Rio de Janeiro, "em vez de buscar prevenir mortes e conflitos armados, incentiva a letalidade da atuação dos órgãos policiais".

O ministro Edson Fachin concordou com o argumento do PSB de que a política de segurança do Rio viola os princípios constitucionais da dignidade humana e os direitos fundamentais à vida e à segurança.

Desde 2020, o Supremo aplicou uma série de mudanças na estrutura das forças de segurança e em normas e procedimentos para uso da força policial em comunidades do Rio de Janeiro.

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As decisões foram tomadas por Fachin e, em sua maioria, foram referendadas pelo plenário do Supremo. Elas previam, entre outros pontos, o uso de câmeras e GPS nas fardas dos policiais; a criação de um plano de redução da letalidade policial; e o aviso prévio às autoridades da saúde e educação sobre operações em comunidades.

A primeira liminar no processo foi alvo de críticas de autoridades do Rio de Janeiro. Em junho de 2020, Fachin determinou a suspensão de operações policiais em favelas do Rio durante a pandemia de Covid-19, com permissão somente para casos excepcionais previamente informados ao Ministério Público.

O principal trunfo apontado por Fachin na condução do processo foi a diminuição do número de mortes causadas por ação dos agentes de segurança. Levantamento feito pelo Ministério Público mostra que a letalidade das ações policiais caiu 52% em quatro anos. Foram 1.814 mortes em 2019 e 871 em 2023.

Nos quatro primeiros meses de 2024, a redução da letalidade policial caiu para 64% em comparação com o mesmo período de 2019 —enquanto no país, houve um aumento de 8% no mesmo período.

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Apesar do referendo à maioria das liminares de Fachin, ministros do Supremo sinalizaram que devem abrir votos divergentes. Segundo quatro fontes do STF ouvidas pela Folha, a expectativa é que os ministros Alexandre de Moraes e Luiz Fux busquem um caminho intermediário em seus votos.

São considerados polêmicos alguns pontos levantados por Fachin, como a independência administrativa das perícias, com a desvinculação das Polícias Civis, e o afastamento provisório de agentes de segurança pública que participarem de operações com morte.

A restrição do uso de helicópteros em incursões e novas regras para buscas nas casas de moradores das comunidades do Rio de Janeiro também estão entre os pontos considerados controversos na ação.

A expectativa no Supremo é que, diante de tantos pontos polêmicos, haja um pedido de vistas (mais tempo para análise) após a leitura do voto do relator Edson Fachin. Nesse caso, o prazo para o processo voltar à pauta do STF é de 90 dias.

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