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Dois anos após acordo com MP, hospital da Prefeitura de São Paulo em campus da Uninove não saiu do papel

FolhaPress 13/11/2025 14:37

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quase dois anos após um acordo celebrado entre a Prefeitura e o Ministério Público de São Paulo e a Uninove (Universidade Nove de Julho), o Hospital Prof.ª Lydia Storópoli, localizado no campus Vergueiro da instituição, na Liberdade, centro da capital paulista, ainda não foi entregue ao município.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Pelo acordo —assinado em 18 de dezembro de 2023—, a Uninove se comprometeu a pagar cerca de R$ 1 bilhão ao Executivo. O valor se referia a uma ação civil de improbidade administrativa de 2021, da máfia dos fiscais.

Na época, investigações apontaram que dois agentes municipais —exonerados posteriormente— cobravam R$ 6,5 milhões de propina para não fiscalizarem a universidade. Com isso, os ex-agentes públicos conseguiram garantir para a Uninove o direito à imunidade tributária.

SESC PICASSO

O ANPC (Acordo de Não Persecução Civil) foi discutido por cerca de dois anos pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital e pela Procuradoria-Geral do Município de São Paulo.

O pacto envolvia a cessão de uso de imóveis da Uninove à Secretaria Municipal de Saúde por 16 anos, inclusive a sede do hospital Profª Lydia Storópoli, localizado no campus Vergueiro da instituição.

Segundo o promotor de Justiça Silvio Marques, responsável pelo acordo, não houve prazo definido para a entrega do hospital porque a autorização depende de vários órgãos.

Fontes ouvidas pela Folha apontaram que houve demora da Prefeitura de São Paulo na apreciação do projeto.

O trânsito em julgado da sentença homologatória ocorreu em 2024. O projeto do layout do hospital chegou às mãos da Secretaria Municipal da Saúde para a análise em meados de julho de 2024, ou seja, levou mais de um ano para ser aprovado.

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De acordo com o promotor Sílvio Marques, a aprovação ocorreu há aproximadamente 15 dias e foi disponibilizado para análise da Vigilância Sanitária estadual, o que deve demorar pelo menos seis meses.

"A região da Bela Vista tem poucos hospitais. São distantes. E ali é um lugar fantástico. Eu já fui fazer a vistoria na Uninove. Um lugar muito bom, bem estruturado, com tudo perfeito. O espaço é sensacional, tem 10 mil metros quadrados. Está pronto, só falta instalar os equipamentos e implementar. Já tem estacionamento, elevadores. Só que não é fácil. O engenheiro da própria Uninove disse que a implementação leva mais uns 15 meses. O que eu posso dizer é que não está havendo descumprimento de prazo", afirma o promotor.

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Segundo a SMS (Secretaria Municipal da Saúde), a região central é assistida pela UPA Vergueiro, Pronto-Socorro Barra Funda, AMA 24h Sé, Santa Casa de Misericórdia, Hospital das Clínicas, Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, entre outras unidades.

Durante a pandemia, o o Hospital Prof.ª Lydia Storópoli foi autorizado a funcionar para atender pacientes acometidos pela Covid. Ao término, a permissão foi encerrada.

Procurada, a Uninove não quis se pronunciar.

Em nota, a SMS afirmou que a implantação do Hospital Municipal Lydia Storópoli será realizada pela Uninove. A pasta aguarda as providências da instituição para que seja entregue como hospital geral. É importante salientar que a Prefeitura é a beneficiária e o Ministério Público, quem fiscaliza.

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