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DIU Mirena tem prazo estendido de cinco para oito anos para evitar gravidez

FolhaPress 11/07/2025 11:32

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dispositivo intrauterino (DIU) hormonal Mirena, com liberação de levonorgestrel, teve seu tempo de uso para contracepção estendido de cinco para oito anos. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a alteração do tempo na bula do dispositivo. A novidade já tinha sido aderida pela FDA (órgão regulador americano) em 2022.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Nada mudou no dispositivo, mas um estudo publicado em 2022 no American Journal of Obstetrics and Gynecology comprovou que a eficácia no oitavo ano de uso é equiparável ao quinto. O comparativo foi feito com base no Índice de Pearl, que mede a eficácia de métodos contraceptivos. O estudo, intitulado Mirena Extension Trial, envolveu cinco grandes estudos clínicos com um total de 3.330 mulheres.

"É o mesmo Mirena, com a mesma quantidade de hormônio, mas esse estudo comprovou que esse mesmo Mirena é eficaz por até oito anos", conta Eli Lakryc, médico ginecologista e vice-presidente de assuntos médicos para a Bayer no Brasil e América Latina. "Isso dá uma abertura melhor para a mulher. É até oito anos, se quiser usar por menos tempo ela tem esse poder de escolha."

Segundo o médico da Bayer, a aceitação do método contraceptivo de longa duração tem sido muito grande no mundo inteiro. O estudo foi feito apenas para a contracepção, no entanto, para as outras indicações em bula, que são menorragia idiopática (sangramento menstrual excessivo) e hiperplasia endometrial (crescimento excessivo do endométrio durante reposição hormonal-) ainda não há estudos que comprovem a eficácia por um maior tempo de uso.

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"Sem dúvida nenhuma a extensão do prazo para oito anos, ela é muito bem-vinda", diz Ilza Maria Urbano Monteiro, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), já que muitas mulheres continuavam com os benefícios do DIU no quinto ano e tinham que retirar por conta da indicação da bula.

A médica aponta que um ponto positivo é inclusive para o serviço de saúde, já que diminui a quantidade de trocas, tempo médico e outros fatores. Ela ressalta que chances de gravidez, embora baixas, ainda existem, não só no oitavo ano, mas em todo o tempo, assim como em qualquer outro método.

Além das indicações na bula, há a indicação "off label" para o uso do Mirena para o tratamento de mioma uterino e endometriose, por exemplo, pela diminuição dos sintomas e amenorréia (ausência da menstruação). "O Mirena existe há 25 anos, é um produto médico super maduro. E mesmo depois desse tempo novas indicações surgem", fala Lakryc.

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Em março deste ano, a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) aprovou o uso do DIU Mirena no SUS para o tratamento de endometriose. Para que seja distribuído ao público, a decisão precisa passar pela consulta pública (estágio atual), um parecer final da comissão e pela decisão da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde.

Monteiro explica que ainda não se sabe qual a taxa de mulheres que poderiam voltar a menstruar após o quinto ano usando o Mirena. "E no caso da endometriose, sangrar um pouco mais ou sangrar mais frequentemente pode estar associado à dor e ao retorno da dor." Por isso, no momento, é recomendado o uso do dispositivo por mais de cinco anos apenas para fins de contracepção.

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