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Dino diz que cemitério não é 'mercado' e dá prazo para SP se manifestar sobre preços

FolhaPress 31/01/2025 18:32

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), deu prazo nesta sexta-feira (31) para que a Prefeitura de São Paulo se manifeste sobre o aumento nos preços do serviço funerário na cidade após a privatização do setor.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A prefeitura terá 15 dias úteis para se manifestar. Também é esperado o parecer do PC do B e da Câmara Municipal de São Paulo, as outras partes no processo.

Por decisão do ministro, desde novembro as empresas precisam cobrar o mesmo valor estipulado nas tabelas de 2022 —quando o serviço funerário da cidade de São Paulo foi privatizado.

A ação foi proposta pelo PC do B sob o argumento de que a concessão dos serviços funerários e cemiteriais de São Paulo tem resultado em "exploração comercial abusiva, especialmente no momento de maior vulnerabilidade emocional das famílias enlutadas".

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A Prefeitura de São Paulo, porém, diz que o serviço foi privatizado para modernizar os cemitérios e manter a acessibilidade às famílias. Ela defende ainda que não houve aumentos abusivos, apenas "reajustes moderados" e até redução de preços em alguns casos.

Para decidir o caso, o ministro Flávio Dino pediu uma análise técnica do Núcleo de Processos Estruturais do Supremo sobre a variação de preços do serviço funerário.

O setor divulgou uma nota técnica em que dizia que alguns planos funerários tiveram "elevação dos preços no período pós-concessão".

"É evidente o número significativo de casos em que esses preços não estão sendo devidamente praticados, resultando em prejuízos para a população", diz o núcleo.

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Na decisão em que nega o recurso da Prefeitura de São Paulo, Flávio Dino defende que o caso tem grande relevância porque envolve possíveis abusos em um serviço público prestado nos "momentos mais marcantes e dramáticos da existência humana".

"O objeto que se debate nos autos é a resposta à pergunta: a que preço? E não se cuida apenas da dimensão monetária —que pode representar o acesso ou não a um direito fundamental— mas inclusive do ‘preço’ de um sofrimento adicional, por exemplo em face de uma cobrança escorchante ou de parâmetros obscuros que dificultam a decisão familiar", diz o ministro.

Dino também refuta o argumento de que a discussão sobre o preço do serviço funerário não deveria ser levada ao Supremo, por não haver dimensão constitucional no caso.

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"Mesmo que assim fosse, os contratos obviamente não estão imunes ao controle jurisdicional baseado em regras constitucionais e legais. Para deixar bem nítido e dissipar obnubilações: serviços públicos diretamente vinculados à vida e à morte são assuntos de estatura constitucional, não meramente de ‘mercado’", completa o ministro.

Na manhã desta sexta-feira (3), Nunes agradeceu ao ministro Dino por ter dado prazo de 15 dias e não de 24 horas para a resposta. "Fica minha gratidão ao ministro do STF", afirmou, durante evento de assinatura de ordem para início das obras de retrofit no antigo edifício do hotel Grão Pará, no centro.

O prefeito disse que representantes da Procuradoria-Geral do Município e da SP Regula (reguladora de serviços públicos do município) foram a Brasília dar explicações ao ministro.

"Se existe mais alguma dúvida, nós vamos apresentar ao ministro do Supremo Tribunal Federal sobre o serviço funerário da cidade", afirmou.

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