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Dinamismo de 'Os Caras Malvados 2' reforça a volta da Dreamworks

FolhaPress 13/08/2025 07:56

FOLHAPRESS - Com a onda de sucessos que começou com o segundo "Gato de Botas" —influenciado pela aclamada saga "Aranhaverso"— a Dreamworks superou um momento de crise e tem se distanciado do fotorrealismo de produtoras como a Pixar e a Illumination.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Se os concorrentes insistem em visuais que refletem a realidade, "Os Caras Malvados 2" reforça a segurança de um estúdio cada vez mais certeiro em desenhar a fantasia. Não se trata de ignorar que "Madagascar", "Kung Fu Panda" e outras pérolas do passado já traziam animais falantes e situações absurdas. Mas sim de reconhecer um esforço hoje raro nas animações.

Meses depois do perdão público, Lobo e sua trupe de ex-criminosos penam em ser aceitos pela sociedade. Entrevistas de emprego fracassam aos montes e o retorno à vilania soa tentador. Quando novos delinquentes passam a espalhar o caos, eles tentam controlar seus instintos e ajudar a comissária local.

Nesse universo, que lembra uma versão juvenil das histórias de Quentin Tarantino e Steven Soderbergh, nada é exatamente original. Mas para o francês Pierre Perifel, que volta à direção após estrear com o antecessor, o importante é eletrizar a trama de golpes mirabolantes.

SESC PICASSO

A "câmera" passeia por cenários coloridos e nunca reduzidos a uma única textura. Ela segue a rapidez dos membros da gangue, e a movimentação pouco se assemelha à de um aparelho real. A montagem também adota uma aceleração típica dos desenhos, variando as imagens em questão de segundos —sem que se perca a clareza de tudo que acontece— para dar ainda mais impacto às fugas atrapalhadas.

Mesmo que se apropriem de inspirações internacionais —a divertida sequência inicial, por exemplo, lembra a glória do grupo com um roubo no Oriente Médio— o filme transforma o mundo que conhecemos e tudo está sempre em agitação.

Elementos de uma mesma cena são animados com diferentes frame rates —quantidade de quadros exibidos por segundo, percebida de formas variadas— e detalhes saltam aos olhos durante perseguições intensas.

Sejam partículas de escapamentos turbinados, sejam linhas que realçam a velocidade dos personagens, são grafismos que misturam animação 2D e 3D e sugerem estarmos diante de pinturas vivas. A disputa ambientada em um ringue de luta reflete esse recurso.

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Na tentativa de proteger um cinturão valioso, os comparsas se revezam com habilidades específicas. Dos golpes esguios de Cobra aos truques tecnológicos de Tarântula —hacker pequenina que engrandece o projeto pela escala que objetos assumem ao seu redor—, os ataques surgem em traços diversos, nunca dissociados das transformações dos personagens.

O frenesi de estilos —que vão de contornos grosseiros, em momentos de maior ansiedade, à delicadeza de animes— põe em xeque a duplicidade da equipe e acompanha seus balanços entre o bem e o mal. É um conceito extraído do anterior, mas que volta renovado e mais ambicioso.

Entre as multidões de policiais que varrem as ruas e a adição de inimigos que forçam Os Caras Malvados a questionar sua natureza, o grande prazer é esperar pelas próximas cenas de ação. Ainda que a rigidez visual dos salões de luxo e laboratórios do governo situe os acontecimentos, a liberdade domina os assaltos que acontecem.

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A previsibilidade —como manter o disfarce diante da aparição de um velho conhecido? Como contornar um sistema impossível de hackear?— se renova, já que as sequências alternam entre a esperteza do roteiro, hábil em diálogos charmosos e resoluções pela lábia, e o encantamento típico das peripécias de Tom Cruise.

Nem por isso, e talvez por depender do público alvo, é difícil antecipar a conclusão moral de "Os Caras Malvados 2". Mas há muito para se admirar numa sequência que, por toda a duração, consegue reinventar jogadas bastante conhecidas.

Nesse sentido, a cereja do bolo é a ida ao espaço sideral, onde o roubo de reluzentes barras de ouro ilumina um cinzento vácuo intergaláctico. De certa forma, espelha a própria existência do filme. Numa indústria tomada pela timidez e pela diluição do que separa animações e live-actions, o desenho reafirma a Dreamworks como um dos poucos estúdios que ainda acreditam na imaginação.

OS CARAS MALVADOS 2

- Avaliação Muito bom

- Quando Estreia nesta qui. (14) nos cinemas

- Classificação 10 anos

- Elenco Sam Rockwell, Marc Maron e Craig Robinson

- Produção Estados Unidos, 2025

- Direção Pierre Perifel

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