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Digimais teve nota de risco rebaixada um dia antes de operação da PF

Agência apontou baixa margem de segurança, falta de informações confiáveis e incertezas sobre a situação financeira do banco

Vitória News 23/06/2026 11:28

Um dia antes de a Polícia Federal deflagrar a Operação Miragem contra o Banco Digimais, a instituição já havia sofrido um novo alerta no mercado financeiro. A agência de classificação de risco Fitch rebaixou a avaliação do banco e informou que deixaria de acompanhar a instituição.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A decisão foi divulgada na segunda-feira (22). A nota nacional de longo prazo do Digimais caiu de BB+(bra) para CCC(bra), classificação associada a risco elevado. A nota de curto prazo também foi reduzida, passando de B(bra) para C(bra).

Segundo a agência, o rebaixamento reflete a visão de que a margem de segurança do banco é muito baixa, em meio a incertezas relevantes sobre seu perfil financeiro. A Fitch também apontou limitações para avaliar a instituição pela falta de informações atualizadas, confiáveis e verificáveis.

Nesta terça-feira (23), a Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem para apurar suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A investigação mira suposta manipulação de demonstrativos contábeis e registros regulatórios para esconder a real situação financeira do banco e aparentar solvência perante órgãos de controle.

A Justiça Federal em São Paulo autorizou nove mandados de busca e apreensão, além de bloqueio e sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 670 milhões.

SESC PICASSO

O Digimais é controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A operação teve como alvos dirigentes e executivos ligados à instituição e a estruturas financeiras investigadas.

Além da queda no rating, a situação do banco já vinha cercada de incertezas por causa de operações envolvendo carteiras de crédito, fundos de investimento e ativos cuja avaliação é questionada. A apuração também cita a exposição do Digimais a carteiras ligadas ao Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada em novembro de 2025.

CONTADOR - BONUS

Outro ponto de atenção é a venda do Digimais ao BTG Pactual, anunciada em abril. A conclusão do negócio ainda dependeria de etapas regulatórias e de tratativas ligadas à estrutura financeira da operação.

Para investigadores, a suspeita é de que ativos tenham sido superavaliados para reforçar artificialmente o patrimônio do banco e permitir a emissão de títulos de captação em volume incompatível com sua real condição financeira.

Os envolvidos poderão responder, conforme a responsabilidade de cada um, por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e operações de crédito vedadas pela legislação do sistema financeiro.

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