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Desmatamento volta a crescer na amazônia e governo alerta para locais em colapso

FolhaPress 06/06/2025 13:57

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O desmatamento na amazônia voltou a acelerar em maio deste ano, o que liga um sinal de alerta no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um dos biomas mais importantes para o equilíbrio ecológico do planeta. Já no cerrado e no pantanal, houve queda.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo dados do Deter —sistema de monitoramento via satélite do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial)—, divulgados nesta sexta-feira (6), pelo segundo mês seguido os alertas de destruição para o bioma amazônico em 2025 superaram o registrado em 2024.

Em maio deste ano foram 960 km² de floresta destruída, contra 500 km² de 2024, um aumento de 92%. Em abril, houve aumento de 55% na mesma comparação, cenário que preocupa pela proximidade com uma nova temporada de incêndios.

Segundo integrantes dos ministérios do Meio Ambiente e de Ciência e Tecnologia, a degradação da floresta tem, agora, um novo perfil, efeito da mudança climática e das graves secas consecutivas, com incêndios, ocorridas neste século (2005, 2010, 2015, 2016, 2023 e 2024).

"Não estamos falando do ponto de não retorno nem de colapso do bioma, mas do colapso da área incendiada e que era floresta", diz o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco.

SESC PICASSO

Claudio Almeida, do Inpe, afirma que esse colapso acontece quando um mesmo local é incendiado reiteradamente, e aquela área deixa de ter as características de floresta.

"Aquela estrutura perde carbono, biodiversidade, função ecológica. Deixa de ter um papel de floresta, colapsou a estrutura florestal que existia ali", afirma.

Segundo ele, esse impacto ainda é local, mas pode se ampliar para ser regional, se mais áreas passarem pelo mesmo processo.

"Uma das áreas que analisamos, de mais de 10 mil hectares, vem tendo alerta de queimada e desmatamento há nove anos. Desde 2016 pedaços dessa área já estavam em alerta, o que levou ao longo desse muitos anos ao colapso da floresta."

Para Capobianco, isso demonstra uma mudança de "uma trajetória histórica que até hoje não conhecíamos".

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"É uma realidade nova. De certa forma, tínhamos a expectativa de que a floresta úmida não seria vítima dessa realidade [climática de forma] tão grave como as florestas temperadas. No entanto, estamos assistindo uma situação dramática aqui no Brasil", afirma.

No comparativo entre as causas da destruição, pela primeira vez o desmatamento com vegetação, causado pelos incêndios, superou o corte raso, a derrubada da floresta.

Segundo Capobianco, o "desmatamento com vegetação" significa "uma floresta incendiada a tal ponto que ela chega agora a uma floresta colapsada".

Em 2025, o primeiro motivo representa 51% dos alertas do Deter, contra 48% do segundo. Em 2024, por exemplo, esses índices foram de 21% e 76% respectivamente.

"[Esse índice] superou o do corte raso, que era historicamente nosso maior problema", afirma Capobianco. "Isso abre uma situação nova, que tem a ver diretamente com o agravamento do quadro climático. Esse é um fato absolutamente inquestionável."

Para Osvaldo Moraes, diretor para clima e sustentabilidade do Ministério de Ciência e Tecnologia, essa nova realidade pode afetar a conservação da biodiversidade, a capacidade de absorção de gás carbônico do bioma e a rede hídrica que dele depende.

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"É de se assustar. E não há dúvida nenhuma que a seca que está impactando a amazônia é fruto não de um fenômeno natural, mas das ações antrópicas", diz.

Entre agosto de 2024 e maio de 2025, a floresta amazônica perdeu 3.502 km², segundo os dados agregados do Inpe —um crescimento de 9,1% com relação ao mesmo período anterior (3.186 km²).

Em outros biomas, o desmatamento está em queda.

No cerrado, após um aumento nos alertas entre abril de 2024 e 2025 (de 547 km² para 690 km²), houve queda de 15% em maio (de 1.040 km² para 885 km²), e 22% no acumulado (de 5.908 km² para 4.583 km²).

No pantanal, o número de incêndios caiu drasticamente em 2025. A soma dos últimos três meses não chega a 10 km² queimados, e houve uma redução 99% no fogo registrado em maio deste ano, na comparação com o ano anterior.

No agregado entre agosto e maio, os alertas de desmatamento apresentam queda de 74% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

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