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Desmatamento na mata atlântica cai 59% no acumulado do ano até agosto

FolhaPress 29/11/2023 13:36

(AGÊNCIA BRASIL) - O desmatamento na mata atlântica caiu 59% de janeiro a agosto deste ano em comparação com o mesmo período de 2022, informa o novo boletim do SAD (Sistema de Alertas de Desmatamento), parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica, a Arcplan e o MapBiomas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Consolidados na plataforma MapBiomas Alerta, os dados mostram que a área desmatada de janeiro a agosto foi de 9.216 hectares, ante 22.240 hectares registrados no mesmo período do ano passado.

Segundo a SOS Mata Atlântica, o levantamento reforça a tendência de redução significativa no desflorestamento do bioma já observada desde o início do ano. Boletim anterior, divulgado em julho, mostrou que a redução era de 42% até o mês de maio, quando a área desmatada estava em 7.088 hectares, ante 12.166 hectares registrados no mesmo período do ano anterior.

"Nos últimos anos do governo Bolsonaro, o desmatamento aumentou. Agora a gente tem uma reversão de tendência, porque o desmatamento no bioma estava em alta e agora, com esses dados parciais, está em baixa, com 59%. Há uma redução significativa, um número surpreendente, muito bom", diz o diretor-executivo da Fundação SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto.

SESC PICASSO

Ele ressalta que estados que costumam ser líderes do desmatamento, como Paraná e Santa Catarina, tiveram queda expressiva, em torno de 60%. Elementos que ajudam a explicar os dados são o aumento da fiscalização e de embargos e o fato de produtores ficarem sem acesso a crédito por terem desmatado.

"Isso realmente é uma mudança resultado de um fortalecimento da política ambiental, da fiscalização, de acabar aquela expectativa de impunidade. A gente tinha praticamente um convite ao desmatamento no governo passado", disse.

Os dados compilados incluem os limites do bioma estabelecidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), excluindo desmatamentos ocorridos nos fragmentos de mata atlântica localizados nos territórios de cerrado e caatinga.

Os chamados encraves nesses dois biomas correspondem a cerca de 5% do total de mata atlântica do país. Na contramão da queda no desmatamento dentro dos limites estipulados pelo IBGE, os encraves florestais são regiões que apresentaram alta.

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Guedes Pinto destaca que os encraves também são protegidos pela Lei da Mata Atlântica. A disparidade na definição dos limites do bioma ocorre porque o IBGE considera apenas os limites geográficos contínuos, enquanto a lei tem como objetivo preservar toda a vegetação característica do bioma e ecossistemas associados, incluindo os encraves.

Entre janeiro e maio de 2023, as derrubadas nos encraves do cerrado e da caatinga aumentaram, respectivamente, 13% e 123%. Para Guedes Pinto, esse cenário demanda uma ação contundente do poder público.

Quando se somam todas as áreas desmatadas da mata atlântica -tanto nos limites do IBGE, entre janeiro e agosto, quanto nos encraves, de janeiro a maio- a queda do desmatamento foi de apenas 26%. A porcentagem foi puxada para baixo justamente pela alta no desmatamento dos entraves.

"A gente fica preocupado nessa região de transição da mata Atlântica com o cerrado e a catinga. Ali a gente ainda tem um problema. A gente sabe que o desmatamento no cerrado está em alta", acrescenta Guedes Pinto.

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Apesar da mudança de tendência deste ano, ele diz que qualquer desmatamento na mata atlântica é muito ruim e que a expectativa é chegar ao zero no bioma. Para combater o desmatamento nos encraves, onde há um avanço, Guedes Pinto avalia que o principal mecanismo é a aplicação da Lei da Mata Atlântica nessas regiões com bastante rigor pelos órgãos ambientais locais.

Segundo ele, existe ainda uma disputa jurídica sobre a abrangência da lei nas áreas de encraves. "[A Lei da Mata Atlântica] é muito clara. Existe um mapa com esses encraves, e fica muito claro que todas as formações florestais dentro desse mapa são protegidas pela Lei da Mata Atlântica. Não tem dúvida em relação a isso."

"Tem uma disputa dos produtores, de donos de terra, mas a gente tem um problema também com órgãos ambientais estaduais e municipais que não aplicam a Lei da Mata Atlântica adequadamente", conclui o diretor-executivo da Fundação SOS Mata Atlântica.

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