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Deputados questionam Nísia sobre desperdício de vacinas, e ministra joga culpa no governo Bolsonaro

FolhaPress 13/11/2024 15:23

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A ministra da Saúde, Nísia Trindade, foi cobrada nesta quarta-feira (13) por deputados da oposição pelo desperdício de vacinas e responsabilizou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo problema.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os questionamentos foram feitos, sobretudo, pelos deputados Frederico (PRD) e Kim Kataguiri (União-SP). Este último mencionou inclusive uma investigação do MPF (Ministério Público Federal) sobre as doses perdidas e fez um paralelo com o governo bolsonarista, que deixou imunizantes perderem validade após meses de uma postura antivacina.

Nísia mencionou que, primeiramente, foi retirado o sigilo dos estoques e das informações sobre os imunizantes no início de sua gestão. Mencionou ainda outras ações, como a negociação para substituir lotes próximos ao vencimento.

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"Todas as medidas foram tomadas contra o desperdício do governo anterior", disse a ministra. "Recebemos um Ministério da Saúde sem controle de estoque, com 12,5 milhões de doses de vacinas para vencer e foi todo o nosso trabalho de recuperação, conseguimos com isso recuperar doses de vacinas num valor de R$ 252 milhões", afirmou a jornalistas.

As falas de Nísia aos deputados foram dadas em audiência pública na Câmara para a qual a ministra foi convidada para explicar gargalos da pasta em meio a críticas por sua gestão.

A reunião, promovida em conjunto pelas comissões de Fiscalização e de Saúde, é a sétima audiência de Nísia na Câmara desde o começo do governo Lula —foram cinco em 2023 e outra neste ano.

Apesar da cobrança da oposição, muitos deputados que estavam inclusive inscritos para questionar não apareceram, como Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Evair de Melo (PL-ES).

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Ao falar com jornalistas após a audiência, a Nísia evitou comentar a possibilidade do fim do piso de Saúde e Educação, em estudo no pacote de corte de gastos do governo federal. Ela disse que é consciente da sua responsabilidade enquanto ministra e destacou que Lula recuperou o orçamento da saúde.

"Eu não levei apenas mensagens [para reunião com Lula sobre o tema], eu participei como parte de uma equipe de governo, de uma discussão sobre a questão fiscal no Brasil, os projetos que estão em curso, a grande responsabilidade que é de cada um de nós de cuidar das nossas áreas, no meu caso, de levar a saúde de qualidade, as entregas todas que temos feito", disse.

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"Eu não sou nem otimista nem pessimista, eu acho que não se trata disso. Sou uma pessoa responsável, consciente da minha responsabilidade enquanto ministra de coordenar o maior sistema universal do mundo e como parte de um governo que é o do presidente Lula, que recuperou o orçamento da saúde", completou.

Com problemas na gestão e na mira de partidos do centrão, a ministra enfrenta críticas sobre corte de despesas, compras públicas —como o caso das falhas na obtenção de vacinas— e repasses de verba aos estados e municípios.

O documento de convocação da ministra também cita o caso de pacientes que receberam transplantes de órgãos com HIV no Rio de Janeiro, entre outros temas. O ministério instalou auditoria para apurar irregularidades no caso e afirmou que o Sistema Nacional de Transplantes "tem uma estrutura consolidada e reconhecida por sua segurança e eficiência".

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