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Defesa de dono do Porsche oferece 1 salário mínimo por mês para família de motorista morto

FolhaPress 12/04/2024 14:26

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A defesa do empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, 24, ofereceu uma ajuda financeira para a família do motorista de aplicativo morto após acidente na madrugada de 31 de março, na zona leste de São Paulo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O empresário dirigia um Porsche em alta velocidade quando colidiu com o carro conduzido por Ornaldo Silva Viana, 52, que morreu.

Em petição incluída no inquérito nesta quinta-feira (11), a defesa afirma que "dentro das dependências policiais e através da autoridade policial por meio verbal, se colocaram, junto ao advogado dos familiares da vítima, à disposição para as assistências necessárias, algo momentânea e prontamente rechaçado pelo nobre defensor ao argumento de que 'não era o momento'".

Não está claro quando a oferta foi feita. A reportagem procurou a defesa de Fernando Sastre nesta sexta (12), mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O caso corre em segredo de Justiça.

Os advogados do empresário afirmam, ainda na petição, que familiares da vítima têm dito por meio da imprensa que enfrentam dificuldades financeiras, e que por isso novamente ofereceram uma ajuda financeira de R$ 1.412 (um salário mínimo) por mês.

"Sensíveis ao momento, reiteram aqui o manifesto intento colaborativo, com uma ajuda financeira mensal no importe de 1 salário-mínimo, ao qual se dispõem a depósito em conta a ser fornecida pelo defensor constituído dos familiares", diz o documento.

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A defesa da família de Ornaldo também foi procurada, por e-mail e ligação telefônica, mas não houve retorno.

Na mesma petição, a defesa de Fernando alega que a família do empresário tem sido alvo de tentativas de extorsão pelas redes sociais. Entre as provas apresentadas, inclui a conversa de um homem que procura pela mãe de Fernando, alega que também é testemunha do acidente e pede para falar com ela antes de comparecer à delegacia.

Os advogados afirmam, ainda, que em razão de ser um caso de midiático, testemunhas têm "comparecido de forma espontânea perante a autoridade policial, possivelmente com pleno conhecimento, através da mídia, dos depoimentos já prestados por testemunhas ouvidas no feito, o que pode gerar significativo prejuízo à investigação, bem como comprometer a lisura destes depoimentos".

ENTENDA O CASO

Na noite do crime, Fernando esteve em dois estabelecimentos com os amigos. O primeiro foi um bar em que ele e outras três pessoas consumiram R$ 620. Em seguida, foram a uma casa de pôquer, onde Fernando ganhou R$ 1.000 e consumiu R$ 400.

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A polícia investiga o caso e buscar provar se Fernando consumiu bebida alcoólica na noite do acidente ou não. A Folha de S.Paulo teve acesso ao inquérito, que esteve no local em que Fernando e amigos estiveram antes do acidente. Em um dos estabelecimentos, eles consumiram oito drinques chamado Jack Pork --feito com uísque, licor, angostura e xarope de limão siciliano--, além de uma capirinha de vodca.

Também foi consumida uma água, um torresmo, um bolinho de costela, um hambúrguer e outros dois salgados. O total gasto foi de R$ 620. No inquérito é dito que ainda não é possível confirmar se há imagens de Fernando ingerindo bebida alcoólica, mas que existe, sim, a possibilidade de que ele tenha consumido álcool.

Juliana de Toledo Simões, namorada de Marcus Vinicius Rocha, prestou depoimento à Polícia Civil no último dia 3 e afirmou que Fernando foi aconselhado a não dirigir por estar um pouco alterado.

De acordo com a advogada de defesa de Fernando, Carine Acardo Garcia, a depoente se referiu à discussão que ele teve com a namorada, que por isso estava "alterado".

Rocha que foi gravemente ferido no acidente prestou depoimento no hospital e afirmou que Fernando bebeu na noite do acidente.

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Já Giovanna Silva, namorada de Fernando, disse em depoimento na última terça que ele não bebeu na noite do acidente. Afirmou que os dois namoram há oito anos e têm um combinado de que quando um bebe o outro não consome bebida alcoólica. Disse também que o namorado não bebeu nada alcoólico porque não gosta de beber enquanto joga para não perder a atenção.

A jovem afirmou ainda que pediu para ir embora, mas que Fernando não queria porque estava ganhando. Ela insistiu até que ele concordou, ficando "bastante alterado e irritado, iniciando uma forte discussão, por também se irritar com facilidade", segundo trecho do relato do depoimento.

Em seu depoimento à polícia, Fernando afirmou não ter consumido bebida alcoólica antes do acidente e disse estar um pouco acima da velocidade permitida na avenida quando bateu. Imagens da câmera de segurança de um posto de gasolina próximo ao local do acidente mostram o carro de luxo trafegando muito acima da velocidade de outros veículos.

De acordo com o Código Penal, suspeitos não são obrigados a colaborar com a Justiça e a produzir provas contra si, mas testemunhas são obrigadas a falar a verdade em depoimentos. A punição por falso testemunho vai de 2 a 4 anos de reclusão, além de multa.

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