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Daisy Ridley admite que mentiu no currículo por papel no filme 'A Jovem e o Mar'

FolhaPress 21/07/2024 13:43

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Que atire a primeira pedra quem nunca deu uma enfeitada no currículo para conseguir um trabalho que queria muito. Protagonista da trilogia mais recente da franquia "Star Wars", Daisy Ridley teve que aprender a nadar em três meses para viver Trudy Ederle, a primeira mulher a cruzar dessa forma o Canal da Mancha.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em 1926, Trudy, uma jovem com deficiência auditiva, levou 14 horas para atravessar os 35 quilômetros de mar gelado entre a França e a Inglaterra --e ainda bateu o recorde dos homens, que era de 16 horas.

"Eu menti um pouco no currículo. Falei que era ótima em natação e que amava nadar em mar aberto", confessou Daisy em evento com a imprensa para divulgação do filme "A Jovem e o Mar", no qual o F5 esteve presente. A produção estreou no sábado (20) no streaming da Disney.

Depois que já tinha conseguido o papel, Daisy pulou na piscina e tentou lembrar o que sabia das aulinhas de natação na infância. Tentou nadar 20 metros e saiu esbaforida dizendo: "Ferrou. É impossível!".

Três meses depois, ela já estava íntima das águas geladas da Bulgária, onde o filme foi gravado, e sentiu na pele o desafio de Trudy. "É uma sobrecarga de tudo: da correnteza, do frio e, é claro, da roupa, porque não existia roupa de mergulho". No filme, a protagonista nada vestindo um maiô de tecido costurado pela irmã e usa banha de porco para manter a pele aquecida.

SESC PICASSO

"Foi um daqueles momentos em que a vida imita a arte", conta Daisy. "Quando estava no oceano, só conseguia ouvir minha própria respiração. Pude ter uma compreensão momentânea do que Trudy realmente fez. Deve ter sido tão difícil e tão solitário", reflete.

CONTINUE A NADAR

Quem está por trás da superprodução, aposta da Disney para alavancar assinaturas de sua plataforma de streaming, é Jerry Bruckheimer, responsável por sucessos de bilheteria como a franquia "Piratas do Caribe", que lucrou US$ 4,5 bilhões (R$ 25 bilhões), além dos icônicos "Top Gun", Bad Boys", "Pearl Harbor" e "Armageddon", entre outros.

Já o diretor é o norueguês Joachim Ronning, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro por "A Aventura de Kon Tiki" (2012) e diretor de uma das sequências de "Piratas do Caribe". A dupla, portanto, entende de mar.

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"Joachim fez um trabalho incrível nos efeitos visuais da água, que é uma das coisas mais difíceis de fazer", elogia Bruckheimer. "Tudo isso é fantástico, mas o mais importante é a emoção, e o filme entrega emoção", diz o papa do box office.

"Dá para sentir a água fria, o vento, o estresse pelo qual ela passa, o tanto que ela treinou", diz. "O fato de ela ter que suportar as mesmas coisas que a Trudy naquela água congelante é o que traz realidade às câmeras."

O diretor concorda: "É uma água de 15º C, correnteza, vento, chuva. Tínhamos dublês de natação, mas percebi que ninguém nadava como a Daisy. Era uma natação enérgica, com movimentos cheios de força, que nos passam a sensação do que Trudy viveu em sua travessia", diz o cineasta.

TEMA EM ALTA

Enquanto a Disney Plus aposta em "A Jovem e o Mar", a concorrente Netflix, por acaso ou não, estreou recentemente "Nyad", baseado na história de Diana Nyad, outra nadadora de mar aberto que quebrou barreiras no esporte.

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Daisy Ridley quase deu uma bola fora no evento com a imprensa quando, questionada por um repórter se conheceu alguma atleta inspiradora, citou a biografada da Netflix (que está viva, com 74 anos). "Foi especial conhecer a Diana Nyad... Corta!", brincou a atriz.

Já sua personagem, Trudy Ederle, ela não pôde conhecer. A nadadora morreu em 2003, aos 98 anos. "As mulheres pioneiras muitas vezes são esquecidas. Elas fizeram o que fizeram com tantos obstáculos contra elas, e mesmo assim perseveraram, mesmo sem saber se alguém iria comemorar ou sequer ouvir sua história", diz Daisy.

Em uma época em que mulheres eram desencorajadas a praticar esportes, Trudy enfrentou a família, desafiou a sociedade e derrotou os inimigos que a tentaram boicotar --e tudo com um sorriso no rosto. Daisy a descreve como a personagem mais alegre que já interpretou.

"Ela não vê as barreiras, só quer seguir sua jornada e fazer o que ama", diz. "Em 90% do tempo, ela é inabalável, exceto pelo momento em que tem seu tapete puxado", comenta. "Essa história, em maior escala, significa o que era socialmente ser uma mulher atleta naquela época. Que momento para um filme como este estar por aí", comemora a atriz.

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