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Crianças e adolescentes são 28% dos desaparecidos no Brasil

Casos envolvendo menores de 18 anos cresceram 8% em 2025 e concentram a maioria dos registros entre meninas

Vitória News 31/01/2026 12:09

Crianças e adolescentes responderam por 28% dos casos de desaparecimento registrados no Brasil em 2025. Do total de 84.760 ocorrências contabilizadas no país, 23.919 envolveram pessoas com menos de 18 anos, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O volume equivale a uma média de 66 registros diários de desaparecimento de crianças e adolescentes nas delegacias brasileiras. Em relação a 2024, quando foram notificados 22.092 casos, o crescimento foi de 8%, percentual superior ao avanço observado no total geral de desaparecimentos no mesmo período.

Na comparação histórica, o número de ocorrências envolvendo menores de idade permanece abaixo do registrado em 2019, ano de início da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas. Ainda assim, os dados indicam tendência de crescimento gradual desde 2023, após um período de retração associado às restrições da pandemia e à subnotificação de registros.

Outro dado relevante é a diferença de perfil entre os grupos etários. Embora os homens representem a maioria dos desaparecidos no total geral, entre crianças e adolescentes, as meninas concentram 62% dos casos, indicando maior vulnerabilidade feminina nesse recorte etário.

SESC PICASSO

A legislação brasileira define como pessoa desaparecida qualquer indivíduo cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente da causa, até que sua localização e identificação sejam confirmadas. Dentro desse conceito, especialistas apontam que os desaparecimentos podem ocorrer em diferentes circunstâncias, incluindo situações voluntárias, involuntárias e forçadas, além de casos associados à violência doméstica, negligência, exploração ou contextos de vulnerabilidade social.

Levantamentos nacionais indicam ainda que a maior parte dos registros ocorre entre sexta-feira e domingo, período em que há maior circulação de pessoas, mudanças na rotina familiar e redução da supervisão cotidiana.

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Apesar dos avanços institucionais, o cenário segue marcado por subnotificação, dificuldades de integração entre sistemas estaduais e ausência de apoio estruturado às famílias no momento do registro. Persistem também entraves operacionais e culturais, como a desinformação sobre a possibilidade de comunicação imediata do desaparecimento e a reprodução de estereótipos que atrasam o início das buscas.

Especialistas apontam que o enfrentamento do problema exige ações integradas que vão além da segurança pública, incluindo políticas de prevenção, acolhimento psicossocial às famílias e fortalecimento dos sistemas nacionais de dados para permitir respostas mais rápidas e eficazes.

Fonte: ABr

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