Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 12h27m
Vitória News — Um jornal de verdade
Geral

Corte Interamericana condena Brasil por violar direitos dos quilombolas de Alcântara (MA)

FolhaPress 14/03/2025 09:26

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Corte Interamericana de Direitos Humanos declarou nesta quinta-feira (13) que o Estado brasileiro é responsável por violar os direitos de comunidades quilombolas de Alcântara, no Maranhão, na instalação e operação de uma base militar no território.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O caso está relacionado ao Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), base de lançamento de foguetes da Força Aérea Brasileira (FAB), inaugurado em 1983. Trezentas e doze famílias de 32 comunidades foram removidas.

Elas foram reassentadas em sete agrovilas e sofreram mudanças nos costumes e práticas tradicionais, além de enfrentarem dificuldades como falta de saneamento básico, acesso à educação, saúde e transporte.

O Brasil foi condenado por violar direitos como o da titulação coletiva do território; direito à propriedade coletiva, à livre circulação e residência, à autodeterminação, à consulta prévia, livre e informada, afetações ao projeto de vida coletivo, violações aos direitos à proteção da família, à alimentação e moradias adequadas, à educação e igualdade perante a lei.

"O reconhecimento da responsabilidade do Estado brasileiro é amplo e reflete a complexidade da cadeia de violações empreendidas nesses mais de 40 anos", diz nota da Justiça Global.

SESC PICASSO

A Corte Interamericana determinou que o Brasil providencie a titulação coletiva para reconhecer 78 mil hectares de território quilombola, além de delimitar, demarcar e realizar a desintrusão; instale uma mesa de diálogo permanente com as comunidades quilombolas de Alcântara; realize um ato público de reconhecimento de responsabilidade internacional em relação às violações reconhecidas; e indenize as comunidades pelos danos materiais e imateriais sofridos.

Localizado na região metropolitana de São Luís, o município de Alcântara tem 18 mil habitantes e concentra a maior população quilombola do país —mais de 80% dos moradores, distribuídos em 200 comunidades.

A denúncia foi apresentada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos em 2001 por representantes das comunidades quilombolas e por vários movimentos sociais, como a Justiça Global, a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos e o Sindicato dos Trabalhadores Trabalhadoras Rurais de Alcântara, além da Defensoria Pública da União.

CONTADOR - BONUS

"A garantia dos títulos coletivos abre um precedente gigantesco para outras comunidades quilombolas que lutam para garantir seus territórios", diz Glaucia Marinho, diretora-executiva da Justiça Global.

A quilombola Neta Serejo, presidente do Mabe (Movimento dos Atingidos pela Base Espacial de Alcântara), afirmou que ouvir a sentença foi um acontecimento histórico.

"A gente fica emocionado ao ver que não foram em vão esses anos de luta, de desgaste, de embate", comemorou. "Muitas vezes nós estávamos cansados e até pensamos em desistir, mas a luta era maior e necessária".

Compartilhe esta notícia
Anuncio - Raimundo - Bonus

Notícias Relacionadas