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Conselho pede que Nunes vete projeto que libera prédios mais altos em bairros de SP

FolhaPress 11/07/2024 16:36

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mudanças nas regras para construir e utilizar prédios aprovadas pela Câmara Municipal de São Paulo no início deste mês foram decididas sem consultas ao colegiado previsto na Constituição para garantir a participação popular nas discussões sobre as cidades, afirmam 29 conselheiros do órgão -o CMPU (Conselho Municipal de Política Urbana).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O grupo escreveu um manifesto que pede ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) veto integral ao projeto apelidado de "revisão da revisão" da Lei de Zoneamento. A prefeitura informou ter recebido o texto da Câmara em 4 de julho e que tem prazo de 15 dias úteis para decidir sobre sanção e vetos. .

Integrante titular do CMPU e signatário do texto, o arquiteto e urbanista Anderson Kazuo Nakano também afirma que as novas alterações nas regras de uso e ocupação do solo retomam a prática de realizar mudanças em lotes e quadras específicas da cidade.

Decisões desse tipo aconteciam com frequência entre os anos 1970 e início dos anos 2000, diz ele. Isso resultou no acréscimo de aproximadamente 2.000 artigos à lei, o que a tornou obscura e impraticável até a revisão de 2006, diz o arquiteto.

O grupo que assina o documento é composto pelos conselheiros que representam a sociedade civil no órgão. Os membros indicados pelo setor empresarial e pelo poder público não endossaram o texto.

SESC PICASSO

A Câmara reabriu a discussão sobre a Lei de Zoneamento em junho deste ano, seis meses após ter aprovado a revisão desta mesma lei, em vigor desde 2016.

Na ocasião, o presidente da Casa, vereador Milton Leite (União Brasil), argumentou que a retomada do tema era necessária para corrigir erros no mapa publicado pela prefeitura. Algumas quadras tinham ficado em branco, ou seja, sem zoneamento.

Em 2 de julho, ao votarem o projeto que corrige a revisão, porém, cerca de 40 emendas foram aprovadas e incluídas no texto enviado à sanção de Nunes. Muitos dos pontos aprovados permitem a construção de prédios maiores em locais onde essas edificações não eram autorizadas.

Trechos de bairros valorizados, como Perdizes (zona oeste), Vila Buarque (centro), Vila Mariana e Vila Nova Conceição (zona sul) tiveram seu zoneamento modificado para ZEU, sigla que identifica zonas de eixos estruturais para o desenvolvimento da cidade, localizadas próximas ao transporte público.

Nesses locais, edifícios não possuem limite de altura. Há situações em que, embora a escolha não tenha sido pela ZEU, houve progressão para um zoneamento mais permissivo. É o caso da alteração nos arredores do Jockey Club.

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Essas mudanças aumentam a quantidade de vezes que a área construída pode ter em relação ao tamanho do terreno. Com esse tipo de alteração, terrenos caros passam a ficar interessantes para o setor imobiliário, pois é possível diluir o custo de aquisição por um grande número de apartamentos e escritórios.

No manifesto, os conselheiros que assinam a nota dizem que o atual planejamento urbano do município desconsidera o interesse público, "em reverência aos interesses particulares, sobretudo do mercado imobiliário e de investidores nacionais e internacionais, financeiros e econômicos". O documento também é endereçado à Câmara e ao Ministério Público.

Procurados, Secovi-SP e Abrainc, associações empresariais que reúnem incorporadores e construtores, não comentaram até a publicação deste texto.

Relator das revisões da legislação urbana, o vereador Rodrigo Goulart (PSD) criticou a baixa participação dos conselheiros nas mais de cem audiências públicas realizadas pela Câmara desde 2023. "Eu não fui convidado para nenhuma reunião do CMPU para tratar desse tema", diz.

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Goulart ainda disse que as regras básicas da legislação em vigor são as mesmas criadas na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e que a Câmara apenas fez ajustes.

Em nota, a presidência da Câmara afirmou que "esteve aberta a sugestões de toda a sociedade, incluindo o CMPU. Infelizmente, muitos dos que criticam agora não participaram em nenhum momento deste processo democrático no Legislativo".

Sobre projeto que fez a revisão, a Câmara afirma que o objetivo principal foi promover ajustes necessários na Lei de Zoneamento e que, sobre as emendas apresentadas pelos vereadores de forma pontual, "isso é uma prerrogativa de cada parlamentar".

"As emendas foram debatidas em audiência pública no dia 1º de julho e publicadas no Diário Oficial da Cidade. Portanto, não cabe falar em falta de transparência nem em falta de participação popular", diz a nota.

Em nota, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento da gestão Ricardo Nunes informou que o projeto de lei 339/2024, aprovado pela Câmara Municipal, está em análise para sanção ou vetos.

"O texto foi recebido pela prefeitura no último dia 4 e, conforme a Lei Orgânica do Município, o Executivo tem prazo de 15 dias úteis para a análise do projeto de lei", diz a mensagem da gestão Nunes.

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