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Conheça o TCP, facção que domina o Complexo de Israel e alvo de operação policial no RJ

FolhaPress 10/06/2025 12:50

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Foi na década de 1980 que traficantes de Vigário Geral e Parada de Lucas, bairros da zona norte do Rio de Janeiro, ordenaram a proibição: moradores de uma comunidade não poderiam passar para a outra.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Separadas pela avenida Brasil, Vigário e Lucas eram palcos de confrontos cotidianos. A primeira era dominada pelo Comando Vermelho; a segunda, pelo Terceiro Comando. A divisão entre as duas facções, mostram livros e relatos de moradores locais, separou famílias e amigos por mais de uma década.

Hoje, o TCP (Terceiro Comando Puro) é quem domina os dois bairros, além da comunidade das Cinco Bocas, em Brás de Pina, e Cidade Alta e Pica-Pau, em Cordovil. Toda a região está, segundo a polícia, sob o controle de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, o traficante mais procurado do Rio e um dos alvos da operação da Polícia Civil desta terça-feira (10), que visa prender suspeitos, entre eles alguns investigados por criar um núcleo especializado em abater aeronaves e montar barricadas.

Duas pessoas —o passageiro de um ônibus e o motorista de outro ônibus— foram baleados na ação desta terça.

Peixão tem atualmente nove mandados de prisão abertos no BNMP (Banco Nacional de Mandados de Prisão). O mais recente deles, de abril, é por homicídio.

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Vigário e Parada de Lucas estão hoje sob o mesmo domínio, mas agora quase isolados do resto da cidade, com barricadas, seteiras e pontos de observação dos traficantes, numa região em que a própria polícia atua com dificuldades.

Em outubro de 2024, três pessoas que passavam pela avenida Brasil morreram baleadas. A polícia afirmou à época que os traficantes deram tiros em direção à via.

O Terceiro Comando nasceu na década de 1980, depois da criação do Comando Vermelho. Enquanto a facção mais antiga dominou comunidades ao redor de bairros de classe média, como Botafogo e Tijuca, o TC se expandiu no subúrbio da zona norte, especialmente ao redor da baía de Guanabara.

Na década de 1990, as principais comunidades do Terceiro Comando eram Acari e Parada de Lucas, onde José Roberto da Silva Filho, o Robertinho de Lucas, morto em 2005, exercia domínio similar ao de Peixão atualmente, segundo policiais aposentados ouvidos pela reportagem.

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Em 1995, Robertinho de Lucas passou a ocupar comunidades vizinhas, como a Cidade Alta e Kelson's, todas perto da avenida Brasil. Em Lucas, Robertinho mandou construir um parque aquático e teria ordenado a pintura de casas com a mesma cor, para confundir a polícia.

No início da década de 2000, com a criação de uma terceira facção no estado, o ADA (Amigos dos Amigos), o Terceiro Comando se fragmentou. Anotações policiais da época mostram que parte dos líderes defendia a união com o ADA contra o CV, inimigo em comum; outros defendiam a independência. Foi nesta época que a facção começou a se identificar como TCP (Terceiro Comando Puro).

Dados do Mapa dos Grupos Armados, criado pelo Geni-UFF (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos) e do Fogo Cruzado, apontam que, em 2021, o TCP dominava 8,7% de todo o território da região metropolitana do Rio com presença de algum grupo armado; outros 46% pertenciam às milícias e 43% ao CV. De 2008 a 2023, o TCP cresceu 79% seu domínio territorial.

O levantamento analisou denúncias coletadas por meio do Disque Denúncia.

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Em março deste ano, policiais militares retiraram uma estrela de Davi de neon que ficava no alto de uma caixa d'água na Cidade Alta. O símbolo, visível para quem passava na avenida Brasil, representava o domínio de Peixão.

A estrela fora instalada durante a pandemia, quando Peixão criou o Complexo de Israel, onde traficantes autointitulados evangélicos atuam. Eles proíbem os moradores de praticar outras crenças em seus territórios, expulsando aqueles que não seguem sua fé.

De acordo com a polícia, Malaquias chama sua quadrilha de Tropa de Arão, em alusão ao irmão de Moisés, profeta bíblico. Ainda na Bíblia, Arão foi o responsável pela construção de um bezerro de ouro para adoração e fez festas, sendo descrito como um profeta que cometia erros, mas tinha o coração voltado para Deus.

Um relatório de inteligência da Polícia Civil afirma que o Complexo de Israel desde a pandemia expandiu seus territórios para 36 ruas consideradas antes somente residenciais, sem a presença do tráfico, na zona norte carioca. Nelas há remoção constante de barricadas.

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