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Conheça o Caravaggio de R$ 850 milhões anunciado em leilão por R$ 8.500

FolhaPress 27/05/2024 13:41

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O Museu do Prado de Madri, na Espanha, começa a expor nesta terça-feira (28) o "Ecce Homo", do mestre italiano Caravaggio (1571-1610), três anos após a pintura surgir em um leilão, atribuída a um artista sem relevância, com preço inicial de € 1.500 —cerca de R$ 8.500.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em abril de 2021, uma pequena foto num pé de página de um catálogo desse leilão levantou as sobrancelhas dos especialistas em arte renascentista do Museu do Padro, já que a história de um quadro perdido do mestre italiano pairava há décadas no ar.

A casa de vendas o atribuía a um discípulo não identificado do pintor espanhol José de Ribera, contemporâneo de Caravaggio.

Sabia-se que um "Ecce Homo" de Caravaggio, que retratava Jesus Cristo, Pôncio Pilatos e um soldado, havia sido presenteado ao rei da Espanha Felipe 4ª, em 1664. Mas o quadro trocara de mãos diversas vezes e estava perdido há cerca de um século.

Antes que a pintura fosse a leilão, o Prado conseguiu com que o governo declarasse a obra "inexportável" e de interesse cultural. Iniciou-se então um processo de estudo e restauração que durou três anos.

SESC PICASSO

Neste ano, o quadro foi enfim adquirido por um britânico que mora em Madri. Como não pode sair do país —salvo para exibições temporárias—, o preço ficou muito abaixo de um Caravaggio: apenas € 36 milhões (R$ 200 milhões). Não fosse assim, o valor poderia alcançar € 150 milhões (R$ 840 milhões), segundo especialistas.

Nesta segunda (27), o museu recebeu mais de uma centena de jornalistas para apresentar a obra e contar sua história.

"A pintura veio de Nápoles no século 17. Viajou para Espanha, provavelmente, no mesmo navio em que também veio 'Salomé com a Cabeça de São João Batista'", diz a professora de arte italiana Cristina Terzaghi, da Universdade de Roma, no auditório do museu.

"Salomé com a Cabeça de São João Batista" é uma obra-prima do mesmo Caravaggio, que pode ser visto em outro museu de Madri, a Galeria das Coleções Reais.

"Esta é uma ocasião extraordinária. Estamos olhando para um fragmento da beleza que o mundo redescobriu", disse Terzaghi, uma das especialistas que atestaram a autenticidade da obra.

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Segundo o chefe do departamento de pintura italiana do Prado, David García Cueto, "havia 45 anos que não acontecia no campo acadêmico o aparecimento de uma pintura que pudesse ser claramente atribuída a um pintor como Caravaggio e que os críticos concordassem unanimemente em incluí-la no catálogo".

A obra foi pintada entre 1606 e 1609, os anos mais atribulados da vida de Caravaggio. Em 1606, ele matou um homem em uma disputa e passou três anos buscando uma absolvição judicial e fugindo. Durante esses anos, morou e trabalhou em Roma, Nápoles, Malta, Sicília e de novo em Nápoles.

"Ecce Homo" retrata um momento de Cristo logo após a flagelação executada por soldados romanos, quando é levado perante o governador romano na Judéia, Pôncio Pilatos.

Conforme o Evangelho segundo João —capítulo 19, versículos dois a cinco—, Cristo foi apresentado à multidão usando uma coroa de espinhos, um cetro de junco e manto roxo. Organizados e vestidos por seus algozes, cada item zomba simbolicamente da afirmação de Cristo de ser o rei dos judeus. "Eis o homem!" ["Ecce homo"], anuncia Pilatos ao povo.

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Segundo a descrição do quadro no catálogo do museu, "a figura mais próxima do observador, inclinando-se enfaticamente sobre o parapeito da varanda, é Pilatos. Envolvendo tanto a multidão implícita quanto o espectador diretamente, Pilatos fica arrasado com indecisão."

"Não encontrando provas da acusação contra ele, o romano governador entrega o destino de Jesus à multidão e ele é condenado à morte por gritos de "Crucifica-o!". Brilhantemente iluminado com o dramático claro-escuro típico do estilo de Caravaggio, Cristo ocupa o centro da composição."

"Pontos vívidos de sangue ecoam o rico carmesim do manto zombeteiramente colocado sobre seus ombros pelo soldado atrás, contrastando sua pele pálida", diz a publicação.

Em acordo com o novo proprietário, o Museu do Prado vai exibir a obra até outubro, em uma sala exclusiva e ao lado da sala de outro Caravaggio do museu, "Davi com a Cabeça de Golias" (1606). A entrada para o museu custa € 15 —R$ 85.

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