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Concessionária de cemitérios em SP deve R$ 730 mil à prefeitura

FolhaPress 16/04/2025 16:22

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo cobra uma dívida de cerca de R$ 730 mil da concessionária Cortel SP, que administra cemitérios municipais na capital paulista. O valor é referente à outorga, taxa paga pela empresa pela exploração do serviço, do quarto trimestre do ano passado.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Um balanço contábil apresentado pela empresa à gestão municipal mostra que, naquele trimestre, a Cortel teve faturamento de R$ 19,6 milhões na operação dos cemitérios da cidade. As informações foram publicadas inicialmente pelo portal G1 nesta quarta-feira (16) e confirmadas pela Folha de S.Paulo.

No ano passado, a mesma empresa já havia feito o pagamento de uma parcela da outorga com 82 dias de atraso, segundo documento da prefeitura. A SP Regula, agência municipal que administra as concessões da capital, afirma que a Cortel SP já recebeu 95 autos de infração por causa de descumprimentos do contrato.

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Já a Cortel SP diz que "está em tratativas com a SP Regula para viabilizar o equilíbrio econômico-financeiro da concessão", ou seja, rediscutir os valores previstos em contrato. Diz também que "há pendências que vem comprometendo a sustentabilidade do contrato e a prestação adequada dos serviços públicos".

O pedido de reequilíbrio do contrato ocorreu, segundo a empresa, porque não houve reajuste contratual por parte da gestão Ricardo Nunes (MDB). A Cortel SP calcula que a falta de reajuste criou um passivo de R$ 8 milhões em favor da empresa.

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O valor de aproximadamente R$ 730 mil é referente ao valor de outorga (R$ 713 mil), somado a uma multa pelo atraso de 2% prevista em contrato e juros. Além disso, em fevereiro a empresa foi multada em outros R$ 48,3 mil pela SP Regula, segundo um documento enviado pela agência à concessionária.

A cobrança de dívidas ocorre num contexto em que a concessão dos cemitérios tem sido questionadas após denúncias de cobranças abusivas, de má qualidade na execução dos serviços e por causa do aumento nos valores cobrados à população.

Em novembro do ano passado o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que o município de São Paulo restabeleça a cobrança de valores anteriores à privatização pelos serviços funerários. Em sua decisão, Dino determina então como teto máximo dos serviços aqueles cobrados antes da privatização, atualizados pela inflação calculada pelo índice IPCA.

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Além disso, no fim do ano passado uma auditoria do TCM (Tribunal de Contas do Município) encontrou ossos humanos, pedaços de caixão e outros tipos de lixo contaminado em meio a terra revirada e resíduos de construção civil nos cemitérios da capital. A situação é irregular, pode trazer riscos à saúde, e foi encontrada em locais administrados por todas as quatro concessionárias dos cemitérios da capital.

Na ocasião, as concessionárias disseram que iriam tomar providências necessárias sobre o que foi encontrado nas fiscalizações, que ossos não identificados foram encontrados devido a "uma prática antiga de refunda" —quando restos mortais são enterrados a uma profundidade maior— e que os funcionários são permanentemente orientados sobre o descarte regular.

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