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Como foi a pandemia de coronavírus em 2023, com subvariantes, vacinas e Nobel

FolhaPress 21/12/2023 09:00

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em 2023, tomamos consciência de que a Covid-19 veio para ficar. Já não se trata de uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, porém permanece sendo uma pandemia.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Não vivemos mais naquela situação trágica dos três primeiros anos, mas o Sars-CoV-2 continua circulando e causando mortes. Ainda é uma doença que tem impacto", diz Alexandre Naime Barbosa, professor de medicina na Unesp e vice-presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

Nos últimos meses, o Sars-CoV-2 alterou a circulação de outros vírus respiratórios —o que provocou surtos fora de época e pressionou hospitais—, desencadeou novos problemas de saúde em milhões de pessoas e desafiou governos, famílias e cientistas.

No Brasil, descobrimos que informações sobre a pandemia foram escondidas da população e registramos a triste marca de 700 mil óbitos pela doença, um luto que continua reverberando na vida de pais e filhos das vítimas.

As perdas, noticiadas pelo agora extinto consórcio de veículos de imprensa, seriam ainda maiores sem as vacinas. Os imunizantes vêm sendo atualizados conforme o surgimento de novas linhagens do vírus, algo possível graças à pesquisa dos ganhadores do Nobel de Medicina deste ano.

NOVAS SUBVARIANTES

A identificação de uma nova subvariante do coronavírus em janeiro assustou a OMS. Chamada de XBB.1.5, ela foi considerada pela entidade como a mais transmissível até aquele momento e levou a um aumento de casos nos Estados Unidos.

No Brasil, porém, o crescimento foi associado à subvariante XBB.1.16, de perfil semelhante ao da XBB.1.5 e também descendente da XBB, uma linhagem da variante ômicron. O primeiro caso em São Paulo foi confirmado no início de maio e logo os médicos perceberam um sintoma diferente dos observados nas cepas anteriores: conjuntivite.

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Outras linhagens descendentes da ômicron foram identificadas nos meses seguintes. Em agosto, a EG.5 ganhou a atenção da OMS após se espalhar pelos Estados Unidos e pela China. Dias depois, a França anunciou a alta das infecções, dessa vez pela subvariante EG.5.1, uma variação da EG.5.

Ainda em agosto, o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) americano rastreou uma nova linhagem do vírus, a BA.2.86, com mais de 30 mutações em relação à XBB.1.5, e o Brasil confirmou o primeiro caso associado à EG.5.

As novas subvariantes foram associadas ao aumento de 80% dos casos em todo o mundo no início do segundo semestre. No país, a taxa de exames com resultado positivo para Covid chegou a 30% pela 1ª vez em nove meses, e as internações pela doença em São Paulo aumentam 35%.

Em novembro, as hospitalizações em unidades públicas e privadas de São Paulo voltaram a cair, em um movimento contrário ao observado no Ceará. O estado foi o primeiro a registrar casos das subvariantes JN.1 e a BA.2.86.1 e a alta de internações levou o Ministério da Saúde a antecipar o reforço da vacina contra a doença.

A JN.1 também é uma preocupação na França, onde representa pelo menos 30% dos casos de Covid diagnosticados em dezembro. A Alemanha é outro país que tem observado o crescimento no número de pacientes com a doença nas últimas semanas.

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VACINAÇÃO

O ano começou com o anúncio da imunização de todas as crianças de 6 meses a menos de 3 anos de idade com as doses da Pfizer baby, indicada para o público mais jovem.

Em seguida, as secretarias de Saúde ampliaram a vacinação bivalente contra Covid para todos os públicos prioritários e, em abril, o governo liberou o reforço com a dose atualizada para todos acima de 18 anos.

A princípio, a possibilidade de tomar a vacina atualizada para a variante ômicron levou a população aos postos de saúde, porém em pouco tempo a procura diminuiu. Em junho, apenas 13% dos adultos haviam recebido o reforço com a bivalente. Seis meses depois, eram somente 17%.

"Nosso principal obstáculo hoje em dia em relação à Covid-19, sem sombra de dúvida, é a hesitação vacinal", afirma Naime. "Aquelas pessoas que não foram completamente vacinadas, ou seja, não receberam o reforço com a vacina bivalente, têm cinco vezes mais riscos de serem internadas ou de evoluírem para óbito", destaca.

A imunização entre as crianças também ficou abaixo do necessário. Em agosto, somente 11% dos brasileiros de até cinco anos estavam vacinados.

De acordo com o Ministério da Saúde, a partir de 2024, o público infantil passará a receber uma dose anual da vacina. Idosos, gestantes, puérperas, trabalhadores da saúde e demais grupos prioritários também serão vacinados anualmente.

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A expectativa, afirma Naime, é que esse público receba a vacina monovalente da Pfizer atualizada para a subvariante XBB. 1.15. O novo imunizante foi aprovado na última terça-feira (19) pela Anvisa.

COVID LONGA

Neste ano, também começamos a entender um pouco melhor as condições pós-Covid (Covid

longa). Estudos apresentados na Unicamp mostraram que mesmo as infecções mais leves pelo SARS-CoV-2 são capazes de causar alterações estruturais e funcionais no cérebro que podem desencadear manifestações neuropsiquiátricas, como ansiedade, depressão, fadiga e sonolência.

Os impactos na função cerebral podem persistir por anos após a infecção. Além disso, pesquisadores descobriram que pessoas com pressão alta que tiveram Covid podem ter lesões no músculo cardíaco causadas pelo vírus e que este pode disparar anticorpos ligados a doenças autoimunes. Outros estudos apontaram ainda que a Covid longa pode estar associada a anomalias nos pulmões e nos rins.

Ainda não está claro por que isso ocorre. Uma hipótese é que resquícios do vírus que persistem no intestino desencadeiam a redução nos níveis de serotonina. Essa diminuição poderia explicar especialmente problemas de memória e alguns sintomas neurológicos e cognitivos da Covid longa.

Quanto ao número de afetados, um estudo brasileiro divulgado em dezembro revelou que 77,4% das pessoas que tiveram um diagnóstico confirmado para Covid no Rio Grande do Sul desenvolveram sintomas com duração de três meses ou mais.

A vacinação, além de reduzir hospitalizações e óbitos, também diminui os riscos das condições pós-Covid.

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